quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

CORA CORALINA, PATRIMÔNIO DO BRASIL




Ana Lins dos Guimarães Peixoto (1889 – 1985) ou Cora Coralina, nasceu em 20 de agosto de 1889 na cidade de Goiás. Seus pais foram Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto, desembargador, e Jacintha Luiza do Couto Brandão Peixoto. Aos 2 meses de idade Ana fica órfã de pai. Em 1895 Ana inicia o curso primário onde permanece até a terceira série. 

Em 1900 escreve um conto “ Um Canto da Inhuma “, aos 11 anos de idade, e publicado em 1909.
Ana ingressa em 1905 no Clube Literário Goiano e dois anos depois funda com outras jovens, o semanário A Rosa. Adota o pseudônimo de Cora Coralina, algo como, coração vermelho, lembrando o nome do rio que passa em sua cidade. Aos 20 anos estreia num livro com o conto “ Tragédia na Roça “.

Em 1911, contrariando o desejo de sua família empreende fuga com o advogado desquitado Cantídio Tolentino de Figueiredo Brêtas, na época, chefe de polícia na cidade, onde fixa residência em São Paulo.
Em 1912 inicia sua saga como mãe pródiga quando nasce Paraguassu Amarillis Brêtas. Em 1914 vêm ao mundo Cantídio Bretas Filho e Enéias Brêtas. Aos seis meses de idade morre Enéias. Em 1917 nasce Maria Ísis Brêtas, que falece seis meses depois. E Jacintha Filomena Brêtas nasce em 1921.

Monteiro Lobato (1882- 1946) faz convite a Cora Coralina para participar da revolucionária Semana de Arte Moderna de 1922, mas segundo consta, esta sofreu a proibição do marido para tal.
Em 1927 nasce outra filha de Cora, desta feita, Vicência Brêtas. Em 1934 Cantídio Brêtas morre de infecção pulmonar, deixando Cora, viúva aos 45 anos e soltando- a no mundo com uma prole para criar. Encontramos Cora por essa época vendendo livros para o editor José Olympio. 

Nos anos seguintes Cora Coralina colabora com vários jornais e revistas da região onde mora.
Apenas em 1965, aos 75 anos de idade, Cora Coralina estreia pela editora José Olympio com o livro, “ Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais “. Em 1979 inicia correspondência com Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987):
“ Rio de Janeiro, 14 de julho de 1979:
Cora Coralina:

Não tendo o seu endereço, lanço estas palavras ao vento, na esperança de que ele as deposite em suas mãos. Admiro e amo você como a alguém que vive em estado de graça com a poesia. Seu livro é um encanto, seu verso é água corrente, seu lirismo tem a força e a delicadeza das coisas naturais. Ah!, você me dá saudades de Minas , tão irmã do seu Goiás.

Dá alegria na gente saber que existe bem no coração do Brasil um ser chamado Cora Coralina.
Todo o carinho, toda a admiração do seu
Carlos Drummond de Andrade “
Em 1983 Cora Coralina publica Vintém de Cobre – Meias Confissões de Aninha pela Editora da 

Universidade de Goiás e indicada para o prêmio Juca Pato da União Brasileira de Escritores, concorrendo com o político Teotônio Vilela e com o poeta cearense Gerardo Mello Mourão.
No dia 10 de abril de 1985 falece, em Goiânia, em decorrência de insuficiência respiratória.
“ Sou espiga e o grão que retornam à terra. 
Minha pena (esferográfica) é a enxada que vai cavando, é o arado milenário que sulca. Meus versos têm relances de enxada, gume de foice e peso de machado. Cheiro de currais e gosto de terra. “
“ Na minha alma, hoje, também corre um rio, um longo rio de lágrimas que meus olhos fiaram uma a uma e que há de ir subindo, subindo sempre, até afogar e submergir na tua profundez sombria a intensidade da minha dor “

“ Escuto leve batida. Levanto descalça, abro a janela devagarinho. Alguém bateu? É a lua – luar que quer entrar “
“ Ajuntei todas as pedras que vieram sobre mim. Levantei uma escada muito alta e no alto subi. Teci um tapete floreado e no sonho me perdi “
“ Minhas mãos doceiras ... Jamais ociosas. Fecundas. Imensas e ocupadas. Mãos laboriosas. Abertas sempre para dar, ajudar, unir e abençoar. Mãos de semeador ... Afeitas à sementeira do trabalho. Minhas mãos são raízes procurando terra, semeando sempre “

“ Sozinha ... Na estrada deserta, sempre a procurar o perdido tempo que ficou pra trás. Do perdido tempo. Do passado tempo escuto a voz das pedras: Volta... Volta... Volta... E os morros abriam para mim imensos braços vegetais “
“ Andei pelos caminhos da vida. Caminhei pelas ruas do Destino – procurando meu signo. Bati na porta da Fortuna, mandou dizer que não estava. Bati na porta da Fama, falou que não podia atender. Procurei a casa da Felicidade, a vizinha da frente me informou que ela tinha se mudado sem deixar novo endereço. Procurei a morada da Fortaleza. Ela me fez entrar: deu-me veste nova, perfumou-me os cabelos, fez-me beber de seu vinho. Acertei o meu caminho “

“ A estrada da vida é uma reta marcada de encruzilhadas. Caminhos certos e errados, encontros e desencontros do começo ao fim. Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina “
Ponto final !



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