domingo, 22 de outubro de 2017

UMA ANTIGA FÁBULA DE HYBRIS





Num burgo perdido nos confins do mundo, onde o cão perdeu as botas, sempre à espera de um futuro incerto que nunca bate à porta, vivia um casal que abrigava um insaciável desejo sem limites. Ele um idoso sisudo, com rosto pétreo, vertendo uma linguagem empostada e monocórdica; e ela um mimoso bibelô, frágil e elegante, exibindo uma exemplar e incômoda mudez. Em certa ocasião, uma daquelas “lâmpadas mágicas das histórias das mil e uma noites orientais” cai nos gentis braços da dita dama. O marido, já cioso dessas fábulas contadas no país de seus ancestrais, logo tomou a dianteira.

Solicitou, sem demora a providência de um palácio luxuoso numa área até então inabitada. E assim foi feito. Salta do nada um luxuoso prédio com traços ultramodernos.

Não satisfeitos, segue-se um novo pedido para a lâmpada maravilhosa, posto que, os pombinhos queriam ser, simplesmente, rei e rainha, respectivamente.

Mas, como o desejo não tinha limites, decorrido pouco tempo, surge um novo e estrambótico desejo: o velho sisudo e manhoso, queria ser papa. Uma vez mais a lâmpada cedeu à solicitação que tinha tudo para dar errado:

Seria um papa franciscano de pés descalços, despojado, que conversava com os bichos, porém, muito à esquerda e fiel defensor da libertação dos pobres do mundo. Assim foi feito e, como era de se esperar, pouco durou a trajetória papal.

O idoso inquieto e insaciável, queria, simplesmente, ser um deus, daqueles greco-romanos, mesmo que preciso fosse acabar com toda a riqueza e decência existentes naquele pobre burgo. Pedido, enfim, aceito.

A rainha-bibelô voltou ao palácio para transmitir as alvissareiras notícias e, aturdida, visualizou um triste e apocalíptico cenário:

O outrora palácio transformado em uma choupana, mostrando um pobre idoso, maltrapilho, cabisbaixo, algemado, sentado num tamborete grogue, tendo ao lado um tipo mau encarado, com traços nipônicos, óculos escuros, protegendo a pobre presa.


Voltara a tudo como dantes, à estaca zero, e segundo confidenciara o verdugo japonês, o destino final seria rumo a um sinistro lugar denominado “ Inferno da Papuda”.

Que pesadelo medonho, senhores!



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