segunda-feira, 18 de janeiro de 2016


CARNAVAL, AI VONTADE DE CHORAR

“ Confete/ pedacinho colorido de saudade/ai, ai, ai, ai/ ao te ver na fantasia que usei/ confete, confesso que chorei/chorei, porque lembrei /do carnaval que passou/ daquela colombina que comigo brincou! /ai, ai, confete ,/ saudade do amor que se acabou “

O tríduo momino tomando corpo joga em meu cansado colo uma densa névoa de saudade, e volto a minha infância nos idos de cinquenta do século passado na rua Rodrigues Junior, esquina com rua Pero Coelho. Madrugada adentro de uma quarta – feira de cinzas, uma prosaica figura negra sentada na coxia, soluçava uma melodia que até hoje reverbera em minha memória (Banana Boat Song):

“ Dia, eu digo que dia / o dia amanhece e quero ir para casa / trabalhei a noite toda/ bebendo rum /vamos, senhor registrador / me registra uma banana / são, sete, oito cachos / um lindo cacho maduro de banana/esconde a tarântula negra mortal/dia, eu digo que dia /”.

Ao terminar aquele lamento o tal gigante de ébano, desaba com a cabeça entre as pernas e chora baixinho em meio a vômitos, defronte ao Quartel General da Folia, onde comandava o Rei Momo Luisão Primeiro e Único. Tinha o cantor naquela hora como única companhia um bichano notívago que ingeria com fremente gula aquele pasto gratuito e asqueroso.

Fechei, nauseado, o postigo devagar e fui me enroscar no aconchego morno na cama de meus pais com medo de um belo carão! .

 

Quem seria aquela pobre criatura de Deus? Não sei, mas até o fim de meus dias o triste lamento segue meus passos, imprimindo a certeza da falsa alegria do carnaval, a despeito daquilo que se vê hoje, com aquele mar luxuriante de bundas, seios, celulites e estrias a granel .

“ A estrela d’alva no céu desponta / e a lua anda tonta com tamanho esplendor/ e as pastorinhas/ para consolo da lua / vão cantando nas ruas lindos versos de amor/ linda pastora morena da cor de Madalena/ tu não tens pena de mim /que vivo tonto com o teu olhar/ linda criança tu não me sais da lembrança / meu coração não se cansa/ de sempre, sempre te amar “

Ôxente ! Viva Zé Pereira! .

 

                                                                                                                                                                  

Nenhum comentário:

Postar um comentário