O MITO CAUBY PEIXOTO:
85 ANOS
“ Conceição, eu me lembro muito bem / vivia no morro a
sonhar / com coisas que o morro não tem / foi então que lá em cima apareceu /
alguém que lhe disse a sorrir / que descendo a cidade ela iria subir / se
subiu, ninguém sabe ninguém viu / pois hoje o seu nome mudou / e estranhos
caminhos pisou/só eu sei que tentando a subida desceu / e agora eu daria um
milhão / só pra ver outra vez, Conceição “ .
Conceição de Jair Amorim e Dunga
(1956).
No dia 10 de fevereiro de 1931 nasce uma estrela em Niterói,
no Rio de Janeiro, com o nome de Caubi Peixoto Barros, em uma família com
fortes pendores musicais: o pai tocava violão e a mãe, bandolim. Os irmãos
Moacir, Araquém, ambos instrumentistas e a irmã, Andiara era cantora. Tem mais:
o tio Romualdo Peixoto (Nonô) era pianista e Ciro Monteiro, cantor e compositor
de renome era seu primo.
Começou na vida artística como calouro na Rádio Tupi, aí por
volta de 1949. Junto com seu irmão Moacir cantou na boate carioca Casablanca.
Em 1951 gravou seu primeiro disco com uma música para o carnaval, “ Saia Branca
“. No ano seguinte mudou-se para São Paulo onde cantou nas boates Oasis e
Arpège. Na Rádio Excelsior exibia sua potente voz com um repertório de músicas
estrangeiras. Voltou em 1954 ao Rio de Janeiro atuando na Rádio Nacional, ao
lado de grandes nomes da música de então como, Emilinha Borba, Ângela Maria,
Orlando Silva, Silvio Caldas, Dick Farney, Nelson Gonçalves e outros .
“ Senhor , aqui estou de joelhos / trazendo os olhos
vermelhos / de chorar , porque pequei /Senhor , foi um erro de momento / não
cumpri o mandamento / o nono da Vossa lei /Senhor , eu gostava tanto dela / mas
não sabia que ela / a um outro pertencia / perdão , por esse amor que foi cego
/ por esta cruz que carrego /dia e noite , noite e dia /Senhor , dai-me a Vossa
penitência / quase sempre a inconsciência / traz o remorso depois / Mandai para
este caso comum/ conformação para um / felicidade pra dois ... “ . Nono mandamento, composição de René Bittencourt
e Raul Sampaio (1957).
“ Ninguém é de ninguém / na vida tudo passa / ninguém é de
ninguém / até quem nos abraça/ não há recordação que não tenha seu fim/ ninguém
é de ninguém, o mundo é mesmo assim/ Já tive a sensação que amava com fervor
/já tive a ilusão que tinha um grande amor / talvez alguém pensou no amor que
eu sonhei / e que perdi também / e assim, vi que na vida / ninguém é de ninguém
“. Ninguém é de ninguém, composição de Humberto Silva, T. Gomes e L. Mergulhão
(1958).
Cauby, que se tornou Ron Coby na América, lançou um disco
com a orquestra de Paul Weston, cantando em inglês. Em 1959 passou uma
temporada de um ano nos Estados Unidos onde gravou “ Maracangalha “ de Dorival
Caymmi vertida para o inglês como “ I Go “. Nas décadas de 60 e 70 Cauby sofreu
a pressão do rock que por aqui conquistou os espaços nas rádios e TVs. Nos anos
80 Cauby grava um disco com composições de grandes autores feitas sob medida
para ele, como “ Bastidores “ de Chico Buarque. Em 1982 aparece na praça um
disco de Cauby com Ângela Maria com sucessos como “ Começaria tudo outra vez,
de Gonzaguinha.
“ Se o amor é uma pérola clara / se tem o ardor de um rubi/
se estão nesse amor que devoto a ti /a gema rara e o rubi /se o amor tem fulgor
de brilhantes/ fiel como ouro de lei/se o amor é o tesouro que eu encontrei/ no
coração eu guardarei/ verás com os lábios nos meus /que é o amor, milagre de
Deus “. A pérola e o rubi,
composição de Haroldo Barbosa.
Em 2015 é lançado o documentário “ Começaria tudo outra vez
“ sob a direção de Nelson Hoineff , revivendo toda a brilhante trajetória de
Cauby Peixoto , sem dúvida um dos grandes nomes da Música Popular Brasileira .
“ Chorei , chorei , até ficar com dó de mim / e me tranquei
no camarim/ tomei um calmante , um excitante e um bocado de gim/amaldiçoei o
dia em que te conheci /com muitos brilhos me vesti /depois me pintei, me pintei
, me pintei, me pintei /cantei , cantei /como é cruel cantar assim / e, num
instante de ilusão / te vi pelo salão a caçoar de mim /não me troquei / voltei
correndo ao nosso lar /voltei pra me certificar /que tu nunca mais vais voltar
/vais voltar , vais voltar /cantei , cantei / nem sei como cantava assim/ só
sei que todo o cabaré /me aplaudiu de pé / quando cheguei ao fim/ mas não bisei
/ voltei correndo ao nosso lar/ voltei pra me certificar/ que tu nunca mais
vais voltar / vais , voltar , vais voltar/ cantei / jamais cantei tão lindo
assim/ e os homens lá /pedindo bis /bêbados e febris a se rasgar por mim
/chorei , chorei ,até ficar com dó de mim “
. Bastidores, composição de Chico Buarque.
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