Cacaso - Vita Brevis
Cacaso - Antônio Carlos Ferreira de Brito ( 1944 - 1987 ) , nasceu em Uberaba, Minas Gerais. Seus pais foram Carlos Ferreira de Brito e Wanda Aparecida Lóes de Brito. Cedo, aos 12 anos, despertou interesse pelo mundo das artes, realizando caricaturas de políticos e outros personagens da vida pública. Daí saltou para o mágico mundo da poesia. Graduou - se em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e realizou Pós Graduação na USP. No dia 27 de dezembro de 1987, aos 42 anos, Cacaso parte para sua viagem definitiva, que segundo uma manchete da época evocava:
" Escreveu poesia rápida como a vida ."
Em 2002 surge a antologia " Lero Lero " de Cacaso publicada pela Editora Sette Letras.
" Sou brasileiro de estatura mediana/ gosto muito de fulana mas sicrana é quem me quer/ porque no amor quem perde quase sempre ganha/ veja só que coisa estranha, saia dessa se puder/ não guardo mágoa, não blasfemo, não pondero/ não tolero lero lero , devo nada pra ninguém/ sou descansado, minha vida eu levo a muque/ do batente pro batuque faço como me convém/ eu sou poeta e não nego a minha raça/ faço versos por pirraça e também por precisão/ de pé quebrado , verso branco , rima rica/ negaceio, dou a dica , tenho a minha solução/ sou brasileiro, tatu- peba taturana/ bom de bola , ruim de grana , tabuada sei de cor / quatro vez sete , vinte e oito , nove fora/ ou a onça me devora ou no fim vou rir melhor/ não entro em rifa, não adoço, não tempero/ não remarco, marco zero , se falei não volto atrás/ por onde passo deixo rastro , deixo fama/desarrumo toda a trama, desacato Satanás/ sou brasileiro de estatura mediana , gosto muito de fulana, mas sicrana é quem me quer/ porque no amor quem perde sempre ganha/ veja só que coisa estranha, saia dessa se puder/ diz um ditado natural da minha terra / bom cabrito é o que mais berra onde canta o sabiá/ desacredito no azar da minha sina / tico- tico de rapina, ninguém leva o meu fubá " .
" Ah como tenho me enganado/ como tenho me matado / por ter demais confiado nas evidências do amor / como tenho andado certo / como tenho andado errado / por seu caminho inseguro/ por meu caminho deserto/ como tenho me encontrado/ como tenho descoberto/ a sombra leve da morte / passando sempre por perto/ e o sentimento breve/ rola no ar e descreve a eterna cicatriz / mais uma vez / quase que eu fui feliz / a barra do amor é que ele é meio ermo/ a barra da morte é que ela não tem meio termo " .