quarta-feira, 15 de abril de 2026

 ...Alex Carrel - Eugenia

Alexis Carrel ( 1873 - 1944 ) : Biólogo, Médico, Pesquisador, Escritor, e propagador da Eugenia, nascido na França. Seu pai era um mercador de seda e seu sonho desde pequeno foi direcionado para o ofício de Medicina. Sua educação básica fez- se em um bom colégio cristão. Ingressou na Faculdade de Medicina na Universidade de Lyon. Estagiou no famoso hospital Hotel Dieu de Lyon durante cinco anos, onde realizou avançados estudos sobre cirurgia vascular.
Na época ficara o jovem médico Alexis Carrel deveras impressionado com a morte do presidente francês Marie François Sadi Carrat, assassinado por um anarquista italiano que se utilizou de uma arma branca para lesionar um vaso sanguíneo de grande calibre ( veia porta) do infeliz político, que não pôde ser corrigido prontamente, levando - o ao óbito. Influenciado por tal tragédia, Carrel criou várias técnicas de suturas vasculares com fios especiais que se tornaram modelos em cirurgia por muito tempo. Partindo desse patamar, avançou para estudos experimentais nas áreas de transplantes de tecidos e órgãos, tendo como apoio o laboratório Hull de Fisiologia de Chicago.
Em 1912 , aos 39 anos, Alexis Carrel, recebe , merecidamente, o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina.
Quando irrompe a Primeira Grande Guerra Mundial ( 1914 - 1918 ) , Alexis retorna à França onde ingressa no exército, junto a sua esposa que prestou serviço como enfermeira na Cruz Vermelha Francesa. Muitas vidas foram salvas pelas mãos de Carrel e de outros tantos membros foram poupadas de amputações em decorrência do emprego de técnicas cirúrgicas avançadas descobertas pelo insigne esculápio francês. Junto com o bioquímico inglês Harry Dakin, Alexis idealizou uma solução antisséptica chamada " Solução Carrel- Dakin " e que foi amplamente empregada durante a conflagração mundial , poupando muitas vidas.
Após o término da guerra, Carrel continuou seus trabalhos científicos no Instituto Rockefeller na área de cultura de tecidos . Em 1935 Alexis Carrel lançou um livro que logo se tornou um exuberante êxito literário, " O homem, esse desconhecido " . Nele, o autor propunha a formação de um conselho superior superior para governar o mundo. Os membros que integrariam tal restrito grupo seriam intelectuais notáveis reunidos em volta de um " Centro de Treinamento " , onde políticos do mundo inteiro iriam buscar conselhos para o bem da humanidade. Carrel defendia firmemente que seria esta a única saída para evitar decadência orgânica e mental da humanidade: Para eles os seres humanos dividiam- se claramente em superiores ( a casta pensante) e inferiores ( os deficientes físicos e mentais, entre outros) que deveriam receber um diferenciado tratamento. Para Carrel, o homem forte intelectual é o mais feliz e útil dos seres, porque mantém em harmonia as atividades intelectuais, morais e orgânicas.
Na primeira edição em alemão do livro " O homem, esse desconhecido " , o autor, rasga elogios ao regime nazista de Adolf Hitler: O governo alemão tem tomado medidas enérgicas contra a propagação de defeituosos , enfermos mentais e criminosos . A solução ideal seria a supressão de cada um destes indivíduos enquanto haja demonstrado o mesmo que pode ser perigoso ". Desta solução defendida por Carrel para a " solução final " proposta por Hitler foi um simples passo de ganso.
Cumpre salientar que Alexis Carrel tomou partido durante a Segunda Grande Guerra Mundial ( 1939 - 1945 ) de franco apoio ao regime nazista de Adolf Hitler participando do governo colaboracionista francês de Vichy ( 1940 - 1944 ) sob o comando do Marechal Philippe Petain, onde comandava um grande hospital francês da famigerada Fundação para Estudos dos Problemas Humanos.
Alexis Carrel morreu de um ataque cardíaco aos 71 anos de idade na França no ano de 1944, em meio a caça as bruchas promovida pelas forças do governo provisório instituído em 29 de agosto de 1944, sob o comando do Marechal Charles De Gaulle ( França Livre ).
Alexis Carrel serve de exemplo acabado para tipos como, " O médico e o monstro " de Dr. Jekyll e Mr. Hyde ) do escritor Robert Louis Stevenson . Evidencia a complexidade do ser humano visto de perto e uma prova cabal de que toda biografia só tem seu fecho após a última pá de terra fria que cai sobre o tal bicho- homem.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

 O Entardecer da Vida

" Todos vamos envelhecer ... Querendo ou não, iremos todos envelhecer . As pernas irão pesar , a coluna doer , o colesterol aumentar . A imagem do espelho irá se alterar gradativamente e perderemos estatura, lábios e cabelos . A boa notícia é que a alma pode permanecer com um humor dos dez , o viço dos vinte e o erotismo dos trinta anos . O segredo não é reformar por fora . É, acima de tudo , renovar a mobília interior : tirar o pó, dar brilho, trocar o estofado, abrir as janelas, arejar o ambiente . Porque o tempo , irá corroer o exterior . E quando ocorrer , o alicerce precisa estar forte para suportar... "
Excertos de uma crônica de Adélia Prado ( 1935 ) . Poetisa , Cronista e Professora , nascida em Divinópolis ( Minas Gerrais ) .
" Sozinha , a tarde chegou até nós :
Uma tarde cheia de experiência, experiência para dar conselhos.
Não há velhos aqui,
Só temos a tarde .
O mar está velho e cada vez maior.
O sol está velho e nos aquece .
A lua é velha e nos Ilumina.
A terra é velha e nós dá vida
O amor é antigo e nós encoraja .
Não há velhos aqui
Só chegamos à tarde .
Somos seres cheios de conhecimentos.
Graduados da escola .
De vida e do tempo .
O que a pós-graduação nos proporcionou.
Subimos na árvore da vida.
Cortamos o melhor de seus frutos.
Estes frutos são nossos filhos.
Que cuidamos com paciência.
Ele nos retribui esta paciência com amor.
Eram crianças, são homens, serão velhos.
A manhã chegará e a noite chegará.
E eles também darão conselhos.
Não há velhos aqui.
Só chegamos à tarde .
Jovem : se na sua caminhada você encontrar
Seres de caminhada lenta.
Com olhares serenos e amorosos .
Com pele áspera , com mãos trêmulas.
Não os ignore , ajude - os .
Proteja - os .
Dê - lhes sua mão amiga.
Leve isso em consideração.
Um dia ,
A noite chegará para você também ."
" Não há velhos aqui " , poema de Mário Benedetti ( 1920 - 2009 ) , escritor, poeta e jornalista uruguaio, da Geração de 45 .
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quinta-feira, 2 de abril de 2026

 Fortaleza - Filha do Sol

" Filha do Sol ! Filha de Rei ! Princesa !
É de estrelas teu mágico diadema !
Não tens o sangue azul , mas com certeza
Descendes de uma deusa , que é Iracema .
E vem da tua olímpica realeza
O radioso esplendor e a graça extrema
Que te fazem , querida Fortaleza ,
Tão bela e musical como um poema !
Teu verde mar , como um jardim , florindo
Em velas brancas no horizonte infindo ...
E o coqueiral que ostenta , ao sol , a palma ...
- São teus feitiços de que sou teu cativo ...
É a tua alma , cidade ! E nela eu vivo
Como tu vives dentro de minha alma ! "
Fortaleza , Soneto da lavra de Antônio Filgueiras Lima ( 1909 - 1965 ) , nascido na cidade de Lavras da Mangabeira . Bacharel pela Faculdade de Direito do Ceará, turma de 1933 . Professor , por concurso , da cadeira de Técnica do Ensino , no Instituto de Educação Justiniano de Serpa .
Em 1838 , com Paulo Sarasate , fundou o Instituto Lourenço Filho . Poeta da mais alta sensibilidade e cuidadoso na forma ." Aqui em nosso meio , onde há alguns poetas de grande valor por outros títulos, Filgueiras Lima é, ao meu ver , o mais suave dos tangedores da lira - é conceito de Antônio Sales .
Pertence ao Instituto do Ceará e à Academia Cearense de Letras , ocupando nesta a Cadeira 21 , de que é Patrono José de Alencar , cuja obra conhece profundamente .
Material retirado da Antologia Cearense , organizada pela Academia Cearense de Letras , ano de 1957 , editada pela Imprensa Oficial .

domingo, 29 de março de 2026

 Giovanni Papini , Filósofo Italiano

Giovanni Papini ( 09.01.1891 a 08.07.1956 ) : Jornalista, ensaísta, contista , romancista, poeta , crítico literário e filósofo italiano . Nasceu em Florença. Desde a mais tenra idade mostrou fascinação pelo inebriante mundo da leitura .Aos 12 anos de idade escrevia contos , e aos 14 anos criou duas revistas : Sapiência, e A Revista . Encontramos o inquieto Giovanni aos 19 anos lecionando em um Instituto Inglês, e frequentando as Faculdades de Letras e Medicina . Aos 20 anos ocupa a cátedra de filosofia moderna na Universidade de Florença. Lança em 1903 a revista Leonardo com conteúdo vário incluindo literatura, arte e ciência.
Aos 24 publica uma polêmica obra , O Crepúsculo dos Filósofos, onde ataca , especialmente , Nietzsche. Em 1931 publica "Gog " , que segundo suas palavras, foi um manuscrito que recebeu de um tal Mr.Goggins, meio satânico e meio louco , morador de um hospício. Junto com o autobiográfico " Um Homem Acabado " representa o ponto alto da produção do inquieto Papini que morre cego , no dia 8 de julho de 1956 , aos 75 anos de idade , em sua cidade natal, Florença.
Um inconformista adorável que vale a pena ter como companhia no universo da leitura , ainda nos dias de hoje .
" O maior problema do homem , como das Nações, é a independência. Há solução? . O que possuo parece meu , mas sou sempre possuído pelo que tenho . A única propriedade incontestável deveria ser o Eu - entretanto, procurando bem , onde está o resíduo absoluto, isolado , que não depende de ninguém ? .
Ausentes ou presentes , os outros participam de nossa vida interior e exterior. Não há salvação. Mesmo na solidão perfeita sinto - me , com horror, átomo de uma montanha, célula de uma colônia, gota de um mar. No meu espírito e na minha carne trago a herança dos mortos: meu pensamento é devedor a vivos e defuntos ; e mesmo contra a vontade , meu comportamento é guiado por seres que não conheço ou que desprezo.
Tudo o que sei , aprendi dos outros . Tudo o que eu uso é obra alheia - que importa se o paguei ? Sem o operário, sem o artesão, sem o artista estaria mais nu do que Caliban ou Robinson. Se quero me locomover preciso de máquinas que não fabriquei e que não dirijo. Sou obrigado a falar uma língua que não inventei ; e os que vieram antes de mim me impõem sem que eu o saiba , seus gostos , seus sentimentos, seus preconceitos .
Ao desmontar o Eu peça por peça encontro sempre pedaços e fragmentos que vêm de fora - em cada um poderia colocar um rótulo de origem .Este é da minha mãe, este do meu primeiro amigo , este de Emerson, este de Rousseau ou de Stirner . Se levo a fundo o inventário das apropriações o Eu torna - se uma forma vazia, uma palavra sem conteúdo. Pertenço a uma classe , a um povo , a uma nação - não consigo , por mais força, evadir - me dos confins que não tracei. Toda ideia é um eco ; todo ato um plágio . Posso afastar a presença dos homens, mas grande parte deles continua vivendo, invisível, em minha solidão.
Se tenho empregados devo suporta - los e obedecer - lhes ; se tenho amigos , tolera - los e servi - los ; e o dinheiro deve ser olhado , cultivado , protegido, defendido . As poucas alegrias de que desfruto devo - as á inspiração e ao trabalho de homens que nunca vi. Conheço o que recebi mas ignoro o que dei ".
Do livro Gog, p. 99 e 100 . Ano 1931 .

quinta-feira, 19 de março de 2026

 Darcy Ribeiro, Um Gênio Caboclo

Darcy Ribeiro ( 1922 - 1997 ) , nasceu na cidade de Montes Claros , uma boca de estrada do sertão nordestino , no Estado de Minas Gerais , em 25 de outubro de 1922 . " Dizem que fui fundado , o que não é verdade , posto que , nasci de parto natural . Cresci , fazendo as bobagens habituais . Moço, quis ser médico e terminei, antropólogo. ".
1922 : Um ano importante para o Brasil, com o advento da Semana da Arte Moderna . Morre o mais brasileiro e sofrido de nossos grandes escritores , Lima Barreto , sorvendo um cálice de parati. Nascimento de Leonel Brizola , político populista, filho de um carreteiro e que chegou ao mundo para azucrinar os militares da República.
Darcy Ribeiro graduou - se no ano de 1946 em Antropologia pela Escola de Sociologia Política de São Paulo , aos 24 anos de idade e logo partiu para estudar os índios do Pantanal , do Brasil Central e da Amazônia ( 1946 - 1956 ) , assessorando o desassombrado Marechal Rondon. Foi o fundador do Museu do Índio e seu diretor por algum tempo, organizando o primeiro curso brasileiro de pós-graduação direcionado a antropólogos . Seduzido pelo educador Anísio Teixeira, construiu firme carreira como educador , reitor e , depois , Ministro de Estado ( 1955 - 1964 ) . " Topou aí com João Goulart ( Jango ) ,que o descaminhou para as tentativas de promover a reforma agrária e conter a ganância das multinacionais. Foi um desastre . Exilado , por conta da Redentora , virou latino - americano e passou muitos anos ( 1964 - 1975 ) remendando universidades no Uruguai, na Venezuela, no Peru e até na Argélia " . Foi fundador na Universidade de Brasília.
Voltou ao Brasil, disposto a cheirar ou feder , conforme o nariz . Em meio a isto tudo lançou vários livros importantes que compõem seus Estudos de Antropologia da Civilização ( O Processo Civilizatório, As Américas e a Civilização, O Dilema da América Latina , Os Índios e a Civilização, e Os Brasileiros ) , e alguns romances .
Em 1978 recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Sorbonne.
São suas , estas palavras , meio pascalinas :
" Eu ! Sei perfeitamente quem sou eu, que sou . Um ser minúsculo, sei , mortal, de existência brevíssima colocado na calota do universo. Aqui posto, olho as infinitudes que para além de mim , sem fim , se desdobram num universo imenso, eterno . Inútil. Também posso voltar - me para mim, atento às voltas de meus intestinos ou para meu sentimento do mundo. O atrativo mesmo é olhar a meu redor , ver gentes parecidas comigo , sobretudo as de sexo complementar que aí estejam pelejando, conviviveis. Espantosa é a visão, se me exorbito e olho lá pra fora , para esse mundão de grandeza inesgotável, independente de mim, a mim indiferente . Um despautério tanta magnitude fútil, tanta eternidade oca...
O que me comove mesmo é a relação: eu e os mais . Não é uma visão de mim sem eles , nem deles sem mim . É sempre a visão de mim com eles , parte deles ; nós todos nos comunicando com espermas e palavras para nos perpetuarmos e nos entendermos ...
Porque o Brasil não deu certo ? Ainda não deu ? Vai dar ? Como ? Por que caminho ? .
Mudemos de assunto " Marinheiro neste mundo , amor é vento que sopra minhas velas nas travessias . Amando navego por mares calmos e bravios , me sentindo ser e viver .Não posso é viver sem amor , desamado na pasmaceira das calmarias ; parado , bradando de ver o mar da vida marulhar à toa . A sedução intelectual me remedia um pouco. Amor , uma doida já disse : é carne feito espírito. "
Este ser irrequieto, múltiplo, polêmico , e extremamente criativo, travou e venceu inúmeras batalhas pela vida afora : a favor dos índios, pela educação formal , pela reforma agrária e contra a Ditadura. A sua pior e mais perversa contenda durou 20 anos , contra um câncer.
" Eu não tenho medo da morte . A morte é apagar - se , como apagar a luz . Presente , passado e futuro ? Tolice . Não existem . A vida vai construindo e destruindo . O que vai ficando para trás com o passado, é a morte. O que está vivo vai adiante . Detestaria estar no lugar de quem me venceu ! ".
" Termino esta minha vida já exausto de viver , mas quanto mais vida , mais amor , mais saber , mais travessuras " .
Ponto Final !

sábado, 14 de março de 2026

 O Medo

Medo , o grande mal do nosso século, este sentimento cruel que prende o indefeso ser humano em suas garras , nas suas entranhas , numa prisão escura que apavora . Há o medo do tempo do ontem ( porão de coisas velhas ) , e do medo do amanhã ( da certeza da finitude ); o medo do outro , aquele desconhecido que perambula na rua de nossa mente ; o medo da solidão, mesmo sabendo que ninguém nasceu para viver só, pois nenhum é uma ilha .
Apenas a partida definitiva faz - se sem companhia; o medo da violência urbana , com sua presença incômoda e , o pior de todos os medos , o atroz medo de amar :
" Amor é fogo que arde sem se ver / é ferida que dói, e não se sente / é um contentamento descontente / é dor que desatina sem se doer / é um não querer mais que bem querer / é um andar solitário entre as gentes / é nunca contentar - se de contente / é um cuidar que ganha em se perder/ é querer estar preso por vontade / é servir a quem vence , o vencedor / é ter com quem nos mata , lealdade / mas como causar pode seu favor/ nos corações humanos amizade/ se tão contrário a si é o mesmo amor ? " . Luiz Vaz de Camões.
" Eu tenho medo e medo está por fora / o medo anda por dentro do teu coração/ eu tenho medo de que chegue a hora/ em que eu precise entrar no avião/ eu tenho medo de abrir a porta / que dá pro sertão da minha solidão/ apertar o botão: cidade morta / placa torta indicando a contramão/ faça de ponta e meu punhal que corta / e o fantasma escondido no porão / medo, medo , medo , medo , medo , medo / eu tenho medo de Belo Horizonte/ eu tenho medo de Minas Gerais / eu tenho medo de Natal , Vitória/ eu tenho medo Goiânia, Goiás/ eu tenho medo Salvador , Bahia/ eu tenho medo medo Belém, Belém do Pará/ eu tenho um Rio , um Porto Alegre , um Recife / eu tenho medo Paraíba, medo Paranaguá/ eu tenho medo Estrela do Norte , paixão, medo é certeza / medo Fortaleza , medo Ceará/ medo vir / morre o meu medo e isto não é segredo/ eu mando buscar outro lá no Piauí/ medo, meu boi morreu , o que será de mim / mando buscar outro maninha no Piauí " /
A . C . Belchior .
" Amor é fogo que arde sem se ver / é ferida que dói, e não se sente / é um contentamento descontente / é dor que desatina sem doer / é um não querer mais que bem querer/ é um andar solitário entre as gentes / é nunca contentar - se de contente / é um cuidar que ganha em se perder/ é querer estar preso por vontade / é servir a quem vence , o vencedor/ é ter com quem nos mata , lealdade / mas como causar pode seu favor / nos corações humanos amizade / se tão contrário a si é o mesmo amor? / .
Luiz Vaz de Camões.
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