segunda-feira, 20 de abril de 2026

 Marha da Quarta - Feira de Cinzas

" Acabou nosso Carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou
Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem sorri
Se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor
E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade
A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir
Voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida , feliz a cantar
Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar
De que a gente nem sabe
Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz
Seu canto de paz ."
Canção lançada na voz maviosa de Nara Leão em 1963 , composta por Carlos Lyra ( 1933 - 2023 ) , e Vinicius de Moraes ( 1913 - 1980 ) . Foi uma ponte entre dois períodos: os anos dourados de uma experiência democrática chegando ao fim , e a ditadura dos últimos dias de março de 1964 : Congresso fechado , sindicatos e entidades estudantis manietados, e fim da liberdade de expressão.
Olha 2026 aí gente !

quarta-feira, 15 de abril de 2026

 ...Alex Carrel - Eugenia

Alexis Carrel ( 1873 - 1944 ) : Biólogo, Médico, Pesquisador, Escritor, e propagador da Eugenia, nascido na França. Seu pai era um mercador de seda e seu sonho desde pequeno foi direcionado para o ofício de Medicina. Sua educação básica fez- se em um bom colégio cristão. Ingressou na Faculdade de Medicina na Universidade de Lyon. Estagiou no famoso hospital Hotel Dieu de Lyon durante cinco anos, onde realizou avançados estudos sobre cirurgia vascular.
Na época ficara o jovem médico Alexis Carrel deveras impressionado com a morte do presidente francês Marie François Sadi Carrat, assassinado por um anarquista italiano que se utilizou de uma arma branca para lesionar um vaso sanguíneo de grande calibre ( veia porta) do infeliz político, que não pôde ser corrigido prontamente, levando - o ao óbito. Influenciado por tal tragédia, Carrel criou várias técnicas de suturas vasculares com fios especiais que se tornaram modelos em cirurgia por muito tempo. Partindo desse patamar, avançou para estudos experimentais nas áreas de transplantes de tecidos e órgãos, tendo como apoio o laboratório Hull de Fisiologia de Chicago.
Em 1912 , aos 39 anos, Alexis Carrel, recebe , merecidamente, o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina.
Quando irrompe a Primeira Grande Guerra Mundial ( 1914 - 1918 ) , Alexis retorna à França onde ingressa no exército, junto a sua esposa que prestou serviço como enfermeira na Cruz Vermelha Francesa. Muitas vidas foram salvas pelas mãos de Carrel e de outros tantos membros foram poupadas de amputações em decorrência do emprego de técnicas cirúrgicas avançadas descobertas pelo insigne esculápio francês. Junto com o bioquímico inglês Harry Dakin, Alexis idealizou uma solução antisséptica chamada " Solução Carrel- Dakin " e que foi amplamente empregada durante a conflagração mundial , poupando muitas vidas.
Após o término da guerra, Carrel continuou seus trabalhos científicos no Instituto Rockefeller na área de cultura de tecidos . Em 1935 Alexis Carrel lançou um livro que logo se tornou um exuberante êxito literário, " O homem, esse desconhecido " . Nele, o autor propunha a formação de um conselho superior superior para governar o mundo. Os membros que integrariam tal restrito grupo seriam intelectuais notáveis reunidos em volta de um " Centro de Treinamento " , onde políticos do mundo inteiro iriam buscar conselhos para o bem da humanidade. Carrel defendia firmemente que seria esta a única saída para evitar decadência orgânica e mental da humanidade: Para eles os seres humanos dividiam- se claramente em superiores ( a casta pensante) e inferiores ( os deficientes físicos e mentais, entre outros) que deveriam receber um diferenciado tratamento. Para Carrel, o homem forte intelectual é o mais feliz e útil dos seres, porque mantém em harmonia as atividades intelectuais, morais e orgânicas.
Na primeira edição em alemão do livro " O homem, esse desconhecido " , o autor, rasga elogios ao regime nazista de Adolf Hitler: O governo alemão tem tomado medidas enérgicas contra a propagação de defeituosos , enfermos mentais e criminosos . A solução ideal seria a supressão de cada um destes indivíduos enquanto haja demonstrado o mesmo que pode ser perigoso ". Desta solução defendida por Carrel para a " solução final " proposta por Hitler foi um simples passo de ganso.
Cumpre salientar que Alexis Carrel tomou partido durante a Segunda Grande Guerra Mundial ( 1939 - 1945 ) de franco apoio ao regime nazista de Adolf Hitler participando do governo colaboracionista francês de Vichy ( 1940 - 1944 ) sob o comando do Marechal Philippe Petain, onde comandava um grande hospital francês da famigerada Fundação para Estudos dos Problemas Humanos.
Alexis Carrel morreu de um ataque cardíaco aos 71 anos de idade na França no ano de 1944, em meio a caça as bruchas promovida pelas forças do governo provisório instituído em 29 de agosto de 1944, sob o comando do Marechal Charles De Gaulle ( França Livre ).
Alexis Carrel serve de exemplo acabado para tipos como, " O médico e o monstro " de Dr. Jekyll e Mr. Hyde ) do escritor Robert Louis Stevenson . Evidencia a complexidade do ser humano visto de perto e uma prova cabal de que toda biografia só tem seu fecho após a última pá de terra fria que cai sobre o tal bicho- homem.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

 O Entardecer da Vida

" Todos vamos envelhecer ... Querendo ou não, iremos todos envelhecer . As pernas irão pesar , a coluna doer , o colesterol aumentar . A imagem do espelho irá se alterar gradativamente e perderemos estatura, lábios e cabelos . A boa notícia é que a alma pode permanecer com um humor dos dez , o viço dos vinte e o erotismo dos trinta anos . O segredo não é reformar por fora . É, acima de tudo , renovar a mobília interior : tirar o pó, dar brilho, trocar o estofado, abrir as janelas, arejar o ambiente . Porque o tempo , irá corroer o exterior . E quando ocorrer , o alicerce precisa estar forte para suportar... "
Excertos de uma crônica de Adélia Prado ( 1935 ) . Poetisa , Cronista e Professora , nascida em Divinópolis ( Minas Gerrais ) .
" Sozinha , a tarde chegou até nós :
Uma tarde cheia de experiência, experiência para dar conselhos.
Não há velhos aqui,
Só temos a tarde .
O mar está velho e cada vez maior.
O sol está velho e nos aquece .
A lua é velha e nos Ilumina.
A terra é velha e nós dá vida
O amor é antigo e nós encoraja .
Não há velhos aqui
Só chegamos à tarde .
Somos seres cheios de conhecimentos.
Graduados da escola .
De vida e do tempo .
O que a pós-graduação nos proporcionou.
Subimos na árvore da vida.
Cortamos o melhor de seus frutos.
Estes frutos são nossos filhos.
Que cuidamos com paciência.
Ele nos retribui esta paciência com amor.
Eram crianças, são homens, serão velhos.
A manhã chegará e a noite chegará.
E eles também darão conselhos.
Não há velhos aqui.
Só chegamos à tarde .
Jovem : se na sua caminhada você encontrar
Seres de caminhada lenta.
Com olhares serenos e amorosos .
Com pele áspera , com mãos trêmulas.
Não os ignore , ajude - os .
Proteja - os .
Dê - lhes sua mão amiga.
Leve isso em consideração.
Um dia ,
A noite chegará para você também ."
" Não há velhos aqui " , poema de Mário Benedetti ( 1920 - 2009 ) , escritor, poeta e jornalista uruguaio, da Geração de 45 .
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 Marcha da Quarta - Feira de Cinzas

" Acabou nosso Carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou
Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem sorriMarha da Quarta - Feira de Cinzas
" Acabou nosso Carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou
Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem sorri
Se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor
E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade
A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir
Voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida , feliz a cantar
Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar
De que a gente nem sabe
Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz
Seu canto de paz ."
Canção lançada na voz maviosa de Nara Leão em 1963 , composta por Carlos Lyra ( 1933 - 2023 ) , e Vinicius de Moraes ( 1913 - 1980 ) . Foi uma ponte entre dois períodos: os anos dourados de uma experiência democrática chegando ao fim , e a ditadura dos últimos dias de março de 1964 : Congresso fechado , sindicatos e entidades estudantis manietados, e fim da liberdade de expressão.
Olha 2026 aí gente !
Se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor
E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade
A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir
Voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida , feliz a cantar
Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar
De que a gente nem sabe
Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz
Seu canto de paz ."
Canção lançada na voz maviosa de Nara Leão em 1963 , composta por Carlos Lyra ( 1933 - 2023 ) , e Vinicius de Moraes ( 1913 - 1980 ) . Foi uma ponte entre dois períodos: os anos dourados de uma experiência democrática chegando ao fim , e a ditadura dos últimos dias de março de 1964 : Congresso fechado , sindicatos e entidades estudantis manietados, e fim da liberdade de expressão.
Olha 2026 aí gente !

quinta-feira, 2 de abril de 2026

 Fortaleza - Filha do Sol

" Filha do Sol ! Filha de Rei ! Princesa !
É de estrelas teu mágico diadema !
Não tens o sangue azul , mas com certeza
Descendes de uma deusa , que é Iracema .
E vem da tua olímpica realeza
O radioso esplendor e a graça extrema
Que te fazem , querida Fortaleza ,
Tão bela e musical como um poema !
Teu verde mar , como um jardim , florindo
Em velas brancas no horizonte infindo ...
E o coqueiral que ostenta , ao sol , a palma ...
- São teus feitiços de que sou teu cativo ...
É a tua alma , cidade ! E nela eu vivo
Como tu vives dentro de minha alma ! "
Fortaleza , Soneto da lavra de Antônio Filgueiras Lima ( 1909 - 1965 ) , nascido na cidade de Lavras da Mangabeira . Bacharel pela Faculdade de Direito do Ceará, turma de 1933 . Professor , por concurso , da cadeira de Técnica do Ensino , no Instituto de Educação Justiniano de Serpa .
Em 1838 , com Paulo Sarasate , fundou o Instituto Lourenço Filho . Poeta da mais alta sensibilidade e cuidadoso na forma ." Aqui em nosso meio , onde há alguns poetas de grande valor por outros títulos, Filgueiras Lima é, ao meu ver , o mais suave dos tangedores da lira - é conceito de Antônio Sales .
Pertence ao Instituto do Ceará e à Academia Cearense de Letras , ocupando nesta a Cadeira 21 , de que é Patrono José de Alencar , cuja obra conhece profundamente .
Material retirado da Antologia Cearense , organizada pela Academia Cearense de Letras , ano de 1957 , editada pela Imprensa Oficial .