O Medo
Medo , o grande mal do nosso século, este sentimento cruel que prende o indefeso ser humano em suas garras , nas suas entranhas , numa prisão escura que apavora . Há o medo do tempo do ontem ( porão de coisas velhas ) , e do medo do amanhã ( da certeza da finitude ); o medo do outro , aquele desconhecido que perambula na rua de nossa mente ; o medo da solidão, mesmo sabendo que ninguém nasceu para viver só, pois nenhum é uma ilha .
Apenas a partida definitiva faz - se sem companhia; o medo da violência urbana , com sua presença incômoda e , o pior de todos os medos , o atroz medo de amar :
" Amor é fogo que arde sem se ver / é ferida que dói, e não se sente / é um contentamento descontente / é dor que desatina sem se doer / é um não querer mais que bem querer / é um andar solitário entre as gentes / é nunca contentar - se de contente / é um cuidar que ganha em se perder/ é querer estar preso por vontade / é servir a quem vence , o vencedor / é ter com quem nos mata , lealdade / mas como causar pode seu favor/ nos corações humanos amizade/ se tão contrário a si é o mesmo amor ? " . Luiz Vaz de Camões.
" Eu tenho medo e medo está por fora / o medo anda por dentro do teu coração/ eu tenho medo de que chegue a hora/ em que eu precise entrar no avião/ eu tenho medo de abrir a porta / que dá pro sertão da minha solidão/ apertar o botão: cidade morta / placa torta indicando a contramão/ faça de ponta e meu punhal que corta / e o fantasma escondido no porão / medo, medo , medo , medo , medo , medo / eu tenho medo de Belo Horizonte/ eu tenho medo de Minas Gerais / eu tenho medo de Natal , Vitória/ eu tenho medo Goiânia, Goiás/ eu tenho medo Salvador , Bahia/ eu tenho medo medo Belém, Belém do Pará/ eu tenho um Rio , um Porto Alegre , um Recife / eu tenho medo Paraíba, medo Paranaguá/ eu tenho medo Estrela do Norte , paixão, medo é certeza / medo Fortaleza , medo Ceará/ medo vir / morre o meu medo e isto não é segredo/ eu mando buscar outro lá no Piauí/ medo, meu boi morreu , o que será de mim / mando buscar outro maninha no Piauí " /
A . C . Belchior .
" Amor é fogo que arde sem se ver / é ferida que dói, e não se sente / é um contentamento descontente / é dor que desatina sem doer / é um não querer mais que bem querer/ é um andar solitário entre as gentes / é nunca contentar - se de contente / é um cuidar que ganha em se perder/ é querer estar preso por vontade / é servir a quem vence , o vencedor/ é ter com quem nos mata , lealdade / mas como causar pode seu favor / nos corações humanos amizade / se tão contrário a si é o mesmo amor? / .
Luiz Vaz de Camões.

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