terça-feira, 27 de janeiro de 2026

 Tempo Fechado e Bonito em Fortaleza

Fortaleza , a bela desposada do sol , nesta manhã cinzenta e bela , fez as pazes com São Pedro : céu carrancudo e muita chuva . Um convite certo para um bom banho de bica ou para soltar um barquinho de papel e seguir o mesmo , travesso e rodopiando até o seu desfecho fatal , numa boca de lobo qualquer, imitando a fugacidade da vida do bicho - homem na Natureza. Tudo isso acompanhado pelo arrastar de móveis, os trovões no infinito do céu .
Hora de regredir na borrasca do tempo e juntar a galera de minha infância feliz para uma aventura na Ponte dos Ingleses , lá pras bandas do restaurante Estoril . Com destino final " a piscininha " , um lago salgado artificial recorrente formado pelas violentas ondas, dia após dia , no quebra - mar ali existente . Isto na maré cheia .
Com a maré seca , aproveita - se daquele pedaço de chão livre , ao derredor da ponte velha , para bater um racha com uma bola de pito . No final , pegar uma " carretilha " no peito , com uma pequena prancha de madeira , evitando as traiçoeiras ondas - caixão. Alguns mais afoitos têm direito a um salto borboleta , lá do alto da ponte . Os mais marrentos seguem a nado em busca de um pouso na Ponte Metálica, para cartar alto com as belas moçoilas da área.
" Faz muito tempo/ que eu não vejo / o verde daquele mar quebrar/ nas longarinas da ponte velha/ que ainda não caiu/ faz muito tempo/ que eu não vejo/ o branco da espuma espirrar/ naquelas pedras com a sua eterna /briga com o mar /uma a uma as coisas vão sumindo/ uma a uma , se desmilinguindo / só eu e a ponte velha teimam resistindo/ e a nova jangada de vela / pintada de verde e encarnado/ só meu mote não muda a moda / não muda nada / e o mar engolindo lindo/ a antiga Praia de Iracema/ e os olhos verdes da menina / lendo o meu mais novo poema/ e a lua viu desconfiada / a noiva do sol com mais / um supermercado/ era uma vez meu castelo/ entre mangueiras/ e jasmins florados/ e o mar engolindo lindo / e o mar engolindo rindo/ Beira- Mar / êê /Beira-mar/ ê , maninha/ arma aquela rede branca / que eu estou chegando agora " . ( " Longarinas " , da autoria do grande poeta e cantor cearense Ednardo) .
Nesta prosaica manhã, da janela de meu pequeno observatório, uma chuva pesada , mareia meus olhos cansados , vislumbro lá longe a Serra da Aratanha , dançando e tremendo , num lusco-fusco feito uma visagem. Culpa dos óculos que uso há tempos , quase sem serventia . Saudade , um chuvisco de saudade para banhar minh'alma !
" Eu daria tudo que tivesse / pra voltar aos tempos de criança /eu não sei pra que que a gente cresce/ se não sai da gente essa lembrança/ aos domingos, missa na matriz/ da cidadezinha onde eu nasci/ ai, meu Deus, eu era tão feliz/ no meu pequenino Miraí/ que saudade da professorinha/ que me ensinou o bê-a-bá/ onde andará Mariazinha/ meu primeiro amor, onde andará? / eu igual a toda meninada/ quanta travessura que eu fazia/ jogo de botões sobre a calçada/ eu era feliz e não sabia " . ( " Meus tempos de criança " , autoria de Ataulfo Alves) .
Ponto Final .

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