quarta-feira, 8 de junho de 2022

 O Alienista Ontem e Hoje.

Uma realista novela - O Alienista - veio à lume no ano de 1882 , nas mágicas mãos do gigante Machado de Assis ( 1839 - 1908 ), o Bruxo do Cosme Velho. A narrativa mostra a trajetória anárquica de um esculápio " filho da nobreza de terras , e o maior médico do Brasil , de Portugal e das Espanhas " , num pequeno burgo , Itaguaí , no Rio de Janeiro de antanho.
O tal pastor de almas constrói um hospício - A Casa Verde - para abrigar alienados de variadas matizes, por ele catalogados como : os modestos , os tolerantes , os verídicos, os simplórios, os leais , os magnânimos, os sagazes, dentre outros . Desse modo , o mentecapto chegou a confinar na Casa Verde , cerca de setenta por cento da população de Itaguaí , provocando uma revolta popular de grande monta .
Revendo a tênue linha entre a loucura e a sanidade , o tal alienista resolve libertar todos os habitantes da Casa Verde , e o próprio pastor de almas interna - se no hospício até finarem seus tristes dias. Admitiu o pobre homem que sua teoria de loucura havia fracassado em cheio.
E hoje, num burgo exótico onde medra , ombro a ombro, o moderno e o retrógrado, " alienistas turbinados modelo 2022 " , insanos , tresloucados, deslumbrados e desconectados com a realidade de um mundo novo , portando indumentárias negras, e não o imaculado jaleco branco dos filhos de Hipócrates, julgam - se donos da terra, calando , prendendo e esfolando qualquer indivíduo que desobedeça suas ordens , como expor seus pensamentos , especialmente em meios eletrônicos.
Surge , então, uma nova " Casa Verde " , no caso em epígrafe, uma " Casa Nigra " , como uma escuridão de noite sem lua nem estrelas : as trevas da loucura . A saída racional para tal imbróglio seria tombar o tal hospício, ou colocar correntes de ferro nos recalcitrantes alienistas turbinados de 2022.
Pode ser uma imagem em preto e branco
Anny Martins Buchholz, Carlos Alberto Cunha e outras 4 pessoas
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segunda-feira, 6 de junho de 2022

 Canção da Alma

" No fundo de minha alma / há uma canção sem palavras, / uma canção que vive / na semente de meu coração.
Recusa - se a derreter/ com tinta em pergaminho ./ Engolfa meu carinho/ em um manto transparente e flui / mas não de meus lábios.
Como posso suspirar ? / Receio me mesclar com o éter terrestre ./ A quem devo cantar ?/Ela habita a casa de minha alma/ e tem medo de ouvidos grosseiros .
Quando olho em meus olhos internos , / vejo a sombra de sua sombra. / Quando toco a ponta de meus dedos, / eu sinto suas vibrações.
As ações de minhas mãos/ prestam atenção em sua presença, / como um lago deve refletir as estrelas cintilantes .
Minhas lágrimas a revelam, / como gotas brilhantes de orvalho / revelam o segredo de uma rosa murcha .
É uma música composta por contemplação/ e publicada pelo silêncio, / e evitada pelo clamor , / e dobrada pela verdade, / e repetida pelos sonhos ,/ e compreendida pelo amor, / e escondida pelo despertar, / e cantada pela alma.
É a canção do amor. / É tão ligada ao coração/ quanto o segredo de uma virgem./ Que corda poderia fazê-la tremer ?/ Quem ousa unir o rugido do mar / ao canto do rouxinol?
Quem ousa falar em voz alta as palavras/ que o coração deveria dizer ?/ Que humano ousa cantar em voz alta / a canção de Deus ? "
Canção da Alma , da autoria de Kahlil Gibran ( 1883 - 1931 ) : artista, poeta e escritor libanês- americano.
Foto que ilustra o texto : Avenida Beira - Mar , em Fortaleza .
Pode ser uma imagem de oceano e céu
João Carlos Pires de Carvalho, Lúcia Brandão e outras 3 pessoas
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quarta-feira, 1 de junho de 2022

 O Céu e a Terra , a Olhos Vistos

O Tao penetra em todos os cantos dos confins do universo. Como é profundo e largo , estendendo seu poder a todo lugar, transcende a todas as coisas.
Como transcende todas as coisas, está no coração de todas as coisas. Ele se mostra sem ser visto, cria sem fazer, preenche sem intenção.
Obedece apenas a sua própria lei ; assim sua criação é infinita.
Nisso ele é como o céu e a terra. O céu é um vácuo luminoso, mas em sua incomensurável extensão contém o sol , a lua , os planetas , as incontáveis estrelas, e nele todas as coisas são iluminadas.
A terra é um acúmulo de solo, mas em sua largura e profundidade detém as grandes montanhas , os rios , lagos e mares, árvores, plantas, animais, pássaros, peixes e os monstros abissais : toda a vida em seu múltiplo esplendor.
O Tau nada reivindica para si;
Assim contém todas as coisas.
O que amamos no mundo é o que descobrimos em nós mesmos . A infinita abrangência do céu, o apoio inabalável da terra : como poderíamos percebê-los se não fossem qualidades de nossa mente perceptiva?
O que é descrito pelo eu descreve o eu .
( O Segundo Livro do Tao ).
Foto que ilustra o texto : início de noite de lua cheia no Porto das Dunas , no litoral cearense .
Pode ser uma imagem de natureza
Martinho Rodrigues, João Carlos Pires de Carvalho e 1 outra pessoa
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