Envelhecendo - Michel Quoist
" Estou envelhecendo , Senhor,
E é duro envelhecer !
Já não consigo correr ,
Sequer andar depressa ,
Já não consigo carregar peso
E subir rapidamente a escada de minha casa .
Minhas mãos começam a tremer
E meus olhos depressa se fatigam
Sobre as páginas do livro .
Minha memória fraca e rebelde esconde - me
Datas e nomes que no entanto conhece .
Estou envelhecendo , e os laços de afeição
Criados ao longo dos muitos anos passados
Soltam - se um a um
E as vezes desatam .
Tantas pessoas conhecidas ,
Tantas pessoas amadas ,
Se afastam e desaparecem
No outro lado do tempo ,
Que o primeiro olhar que lanço no jornal do dia
É para procurar, inquieto , os nomes da necrologia .
Cada dia me sinto , Senhor ,
Um pouco mais só,
Só, com minhas recordações
E as minhas dores passadas,
Que sempre o meu coração
Mantém muito vivas ,
Enquanto as alegrias me parecem ,
Muitas vezes ofuscadas .
Hoje , tenho tempo , Senhor ,
Tempo demais .
Tempo que se me amontoa em redor ,
Inutilizado.
E eu estou aqui , imóvel,
E não sirvo pra nada " .
Michel Quoist ( 1921 - 1997 ) : influente presbítero, escritor e sociólogo francês.
" Ainda que eu falasse línguas , as dos homens e dos anjos , se eu não tivesse o amor , seria como sino ruidoso ou como címbalo estridente . Ainda que eu tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência; ainda que eu tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas , se não tivesse o amor, eu não seria nada . Ainda que eu destribuisse todos os meus bens aos famintos , ainda que entregasse o meu corpo às chamas, se não tivesse o amor , eu não seria nada " .
( Primeira Carta aos Corintios 13,1 - 3 ) .
Ponto Final .
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