quarta-feira, 14 de março de 2018

STEPHEN HAWKING E O MISTÉRIO MAIOR


ÀS ROSAS QUE ENFEITAM O JARDIM DA EXISTÊNCIA HUMANA



Em 2012, ao completar 70 anos, o físico teórico, matemático e cosmólogo britânico, Stephen Hawking respondendo a uma indagação sobre qual o maior mistério do universo, mandou ver um petardo certeiro:
“ As mulheres! Elas são para mim um completo mistério “. Não é pouco para quem lidou a vida inteira com enigmas gigantescos da ciência, como a criação do universo através do" Big - Bang ", os discutíveis “ Buracos Negros “ e a "Teoria do Tudo “, aquela que apresenta os fenômenos físicos do universo unificados sob um único padrão matemático. Acrescente-se a peleja duradoura que ele trava com uma impertinente e paralisante enfermidade, a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).
Stephen William Hawking nasceu no dia 8 de janeiro de 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, exatos 300 anos após a morte do gigante Galileu Galilei (1564 – 1642). Seu pai, Frank, era médico, e sua mãe, Isabel, secretária, moravam em Londres. O garoto nasceu em Oxford sob a proteção de um acordo de guerra entre ingleses e alemães, para que não houvesse bombardeios entre Heidelberg e Gottingen na Alemanha, e Cambridge e Oxford na Inglaterra. Stephen teve outros três irmãos: Phillipa, Mary e Edward, este último, adotivo. Sua infância transcorreu tranquila num ambiente de muita liberdade e com troca rica de conhecimentos. Stephen mostrou- se um aluno mediano até a adolescência quando passou a ser conhecido como
“Einstein“, talvez por sua bizarra aparência. Nos últimos anos escolares o jovem passou a despertar vivo interesse em física e matemática, que considerava matérias fáceis em demasia e por conta disso, chatas.

17 anos ingressou na Universidade de Oxford para um curso de física. Em 1962 chegou a Cambridge como estudante de pós-graduação em física para trabalhar com Fred Hoyle, o mais importante astrônomo inglês da época. Aos 21 anos de idade Stephen foi diagnosticado com uma séria doença degenerativa progressiva, a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), de prognóstico sombrio. Por essa época conheceu Jane Wilde, sua futura esposa e uma brava guerreira. Em julho de 1965 por ocasião de seu casamento, a insidiosa doença paralisava boa parte de seu frágil corpo. A despeito de tudo, casal gerou três filhos: Robert, Lucy e Tim. Quando do nascimento deste último, Jane desencadeou um grave e duradouro quadro de depressão, por conta, talvez, de excessiva atividade laboral. Neste horizonte surge a figura de Jonathan, um músico e organista de uma igreja local, que entrou na vida do casal Stephen e Jane, inicialmente, apenas como um terapeuta. Seguiram – se momentos de turbulência que culminaram com o fim do casamento de Stephen e Jane em 1990.

Despontou na ocasião, Elaine Mason, uma enfermeira, mãe de dois filhos, esposa de um especialista em computação responsável pela elaboração de um programa para devolver a voz a Stephen. Em 1995, Elaine e Stephen contraíram matrimônio, e nove meses depois foi a vez de Jane e Jonathan fazerem o mesmo. Segundo as próprias palavras de Stephen, seu casamento com Elaine foi um evento apaixonado e tempestuoso, cheio de altos e baixos. Sabe –se, contudo, que essa sua companheira livrou- o da morte em mais de uma ocasião.

Em 2004, Stephen apresentou claros sinais de maus–tratos como escoriações no rosto e fraturas diversas espalhadas pelo corpo. No hospital onde buscou atendimento, em atitude estoica, Stephen isentou qualquer pessoa desta triste ocorrência. Em 2007 deu- se o divórcio com Elaine e a partir de então o bravo cientista passa a morar sozinho na companhia de uma governanta. O genial Stephen ora permanece casado fielmente, até que a morte os separe, com as musas cosmologia e física, numa bigamia salutar, autêntica e permitida, sem risco algum previsível de ruptura, seja a médio ou longo prazo desta pungente situação. Considerado o maior cientista vivo do planeta, não sem controvérsia, há que se convir, faz companhia a gigantes como, Isaac Newton, Galileu Galilei, Nicolau Copérnico e Albert Einstein. Stephen leva uma vida quase plena, posto que, a doença embora cause bloqueio de seus movimentos corporais, mantém íntegro o funcionamento do seu privilegiado cérebro. Ele acredita que as pessoas com deficiências devem se concentrar nas coisas que a desvantagem não as impede de fazer, e não lamentar as que são incapazes de realizar. Ateu confesso, Stephen defende a ideia de que o universo não foi criado, nem será nunca destruído: ele apenas é. Aceita o benefício da morte assistida e não crê em vida pós–morte.

Acredito eu, piamente, que não será com a retirada, pétala- a- pétala de uma mimosa flor que se irá descobrir o segredo da fragrância de uma rosa. Basta vivenciar o êxtase de ficar igual a uma criança diante de um bondoso Deus: embevecido, contrito e.... pronto. Pode estar aí o segredo inviolável da paixão pela mulher. Estas olorosas flores que ornamentam nossas vidas, mimosas, meigas, férteis e envoltas em mistérios profundos, constituem, sem medo de errar, o sal da vida. Sem elas, cabe afirmar, quase nada pode ser feito!
Segue um conselho a ser observado àquele que se preza, se dando bem e mostrando juízo neste mister:

“ Nada mais contraditório que ser mulher! Mulher que pensa com o coração, atua pela emoção e que vence pelo amor... que vive um milhão de emoções em um só dia, e transmite cada uma delas com uma só mirada ... que vive buscando a perfeição e segue tratando de descobrir desculpas para os erros daqueles a quem ama ... que hospeda no ventre outras almas, dá a luz e depois fica cega, diante da beleza dos filhos que engendrou ....que dá as asas e ensina a voar, porém, não quer ver a partida dos pássaros, ainda que sabendo que eles não lhe pertencem ... que se enfeita toda e perfuma o casto leito, ainda que seu amor não perceba mais esses detalhes ... que como uma feiticeira transforma em luz e sorriso as dores que sente na alma, só para que ninguém o perceba... e ainda arrebanha forças, para dar consolo a quem se acerca a chorar em seu cálido ombro ...
Feliz o homem que, tão somente por um dia, saiba entender a alma da mulher! “ .
Aleluia!


Empreendeu viagem rumo a poeira das estrelas no dia 14 de março de 2018 , Stephen Hawking. Uma grande perda para a humanidade!

segunda-feira, 12 de março de 2018

Uma Profecia Certeira
Para o poeta Francisco José Pessoa 

" Os poetas são os encantados com a vida e os camelôs dos primores estéticos da mulher. São eles que proclamam, em cada canto do mundo, a beleza das formas femininas. Todos cantam, por inteiro, ou por partes, pelo avesso ou pelo direito, as suas deusas ou amadas. 
Boca :

Um homem sério como Tobias Barreto elogiou a boca de sua idolatrada :
"De tua boca mimosa/o lábio superior/tem a forma graciosa /do arco do deus amor"

Braços :

Luis Guimarães Filho, desta forma encara os braços :
"As ninfas caçadoras /de pupilas ardentes/mergulham na água os preguiçosos braços /que parecem flutuando entre sargaços /aquáticas serpentes"

Cabelos:

É de Jorge Jobim está quadra de seu livro Reminiscências :
"Pretos cabelos de nastros/caindo em ombros sem par/como as bandeiras nos mastros/em noites de calma e luar"

Seios:

Inigualável, Olavo Bilac diz:
" E de entre as rendas e o arminho/saltam seus seios rosados /como de dentro de um ninho/dois pássaros assustados"

Mãos :

O grande trovador Belmiro Braga metrifica a respeito :
"E quando pelas débeis mãos te agarro/lembram elas, nas minhas, duas rosas/alvíssimas, dobradas e cheirosas/dentro de um vaso rústico de barro "

Pés :

Na sua linguagem matuta, Catulo encastoa desta forma suas rimas :
"Os pezinhos da cabocla /quando dançava o baião /pareciam dois pombinhos /a mariscar pelo chão "

De fato, há muitos quadris femininos bem montados e com requebros coreográficos, regiões glúteas dignas da estatuária helênica. Mas daí partir - se para uma espécie de contestação moral para o abuso de um concurso especializado no gênero, como que querendo depravar o bom gosto do povo e comprometer a reputação de quase todas as candidatas, vai a distância abismal. É sinal dos tempos ridículos e sodômicos em que vivemos! Quantas meninas não irão ficar com o apelido de Raimunda! "

Crônica "Concurso de Bumbuns " de autoria do grande cronista, jornalista, pintor e poeta cearense João Jacques Ferreira Lopes (1910 - 1999), integrando o livro " Minha Máquina, Meu Piano" lançado em 1989. Há quase trinta anos , João Jacques vislumbrou a realidade de hoje em Pindorama vivendo o furor da permissividade e da pouca vergonha!



sexta-feira, 9 de março de 2018


ARES DE MUDANÇA



“O Ceará é o ferreiro maldito, de quem fala a lenda popular: quando tem ferro falta carvão. É nadador contra a corrente, que nunca chega; o caranguejo que anda e desanda; o eco a repetir a pergunta sem lhe dar resposta; o nó sem ponta; o sonho que promete em sombras que não se distinguem bem, a vaga esperança, enfim, para a qual nunca chega o dia.

Há cem anos, um povo gigante, a mover-se, não adianta um passo, como um frágil esquife sobre as ondas, que a corrente impele, e o vento faz recuar. Não lhe falta alma. São os deuses que os condenam à pena de Tântalo – morrer de sede à beira do regato. Os diretores mentais do Ceará morreram ou foram longe procurar um teatro para exibição de sua intelectualidade; e crestam na penúria os rebentos da capacidade cearense, a disputarem um pouco de ar, que aliás lhe mata o estímulo; o ar mefítico das baixas regiões oficiais...

Que seja para os netos de nossos netos, não importa. O mundo não é tão curto, que acabe em nós; e cem anos, na ordem dos tempos, é muito menos de um til nos lábios”
Excertos de “O Ferreiro da Maldição”, publicado no Jornal “O Unitário” de Fortaleza, com a data de 20 de maio de 1903, da autoria de João Brígido (1829 – 1921), jornalista, cronista, historiador e político.

Parece que foi ontem, e o atual quadro político desenhado no sofrido torrão cearense, traz justa inquietação, em meio a um encapelado mar de gigantescas ondas, a exigir de todos, firmeza e pulso forte na condução do frágil barco da democracia.
Auguste de Saint – Hilaire (1779-1853) um naturalista francês que andou pelo Brasil estudando plantas, cunhou uma frase que até hoje reverbera e soa como verdade, em um profético tom:

” Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”.

 A saúva, aí está, hoje representada pela brutal corrupção, que corrói todas as estruturas de nossas corporações, a níveis estadual, municipal e federal. Num ano de eleições, o cidadão consciente poderá definir o rumo certo que deverão tomar nossas instituições, caso contrário, assistiremos o soçobrar fragoroso do Titanic verde e amarelo! Muda Brasil!

Ponto final.




quinta-feira, 8 de março de 2018

Receita de Mulher/Recado de Vinicius


As muito feias que me perdoem /mas a beleza é fundamental /é preciso que haja qualquer coisa de flor em tudo isso/qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture /em tudo isso (ou então que a mulher se socialize elegantemente em azul/como na República Popular Chinesa )/não há meio termo possível /é preciso que tudo isso seja belo/é preciso que súbito /tenha - se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto /adquira de vez em quando/essa cor só encontrável /no terceiro minuto da aurora /é preciso que tudo isso seja sem ser/mas que se reflita e desabroche /no olhar dos homens/é preciso,é absolutamente preciso/que tudo seja belo e inesperado /é preciso que umas pálpebras cerradas /lembrem um verso de Eluard /e que se acaricie nuns braços /alguma coisa além da carne:que se os toque /como o âmbar de uma tarde/adquiralguma, deixem -me dizer - vos /que é preciso que a mulher que ali está /como a corola ante o pássaro /seja bela ou tenha pelo menos um rosto/que lembre um templo/e seja leve como um resto de nuvem /mas que seja uma nuvem com olhos e nádegas /nádegas é importantíssimo /olhos , então nem se fala/que olhem com certa maldade inocente /uma boca fresca (nunca úmida!) é de extrema pertinência /é preciso que as extremidades sejam magras/que uns ossos despontem/sobretudo a rótula no cruzar as pernas/e as pontas pélvicas no enlaçar de uma cintura semovente /gravíssimo é porém o problema das saboneteiras/uma mulher sem saboneteiras/e como um rio sem pontes /indispensável que haja/uma hipótese de barriguinha /e em seguida a mulher se alteia em cálice /e que os seios sejam uma expressão greco-romana/mais que gótica ou barroca/e possam iluminar o escuro com uma capacidade/mínima de cinco velas/sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral /levemente à mostra /e que exista um grande latifúndio dorsal/os membros que terminem como hastes/mas bem haja um certo volume de coxas / e que elas sejam lisss/lisas como a pétala /e cobertas de suavissima penugem /no entanto sensível à carícia em sentido contrário /é aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio /apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos )preferíveis sem dúvida os pescoços longos /de forma que a cabeça dê por vezes/a impressão de nada ter a ver com o corpo/ e a mulher não lembre/flores sem mistério /pés e mãos devem conter elementos góticos discretos /a pele deve ser fresca nas mãos /nos braços, no dorso e na face /mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura /nunca inferior a 37°centígrados /podendo eventualmente provocar queimaduras /do primeiro grau/os olhos que sejam de preferência grandes/e de rotação pelo menos tão lenta quanto a da terra/e que se coloquem sempre para lá /de um invisível muro de paixão /que é preciso ultrapassar /que a mulher seja em princípio alta/ou, caso baixa/ que tenha a atitude mental dos altos píncaros /ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se se fechar os olhos/ao abri - los ela não mais estará presente/com seu sorriso e suas tramas/que ela surja, não venha; parta, não vá /e que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente /e nos fazer beber o fel da dúvida /oh, sobretudo/que ela não perca nunca /não importa em que mundo/não importa em que circunstâncias /ao sua infinita volubilidade de pássaro /e que acariciada no fundo de si mesma /transforme - se em fera sem perder sua graça de ave /em que exale sempre / o impossível perfume e destile sempre/o embriagante mel/e cante sempre o inaudível canto/da sua combustão /e não deixe de ser nunca a eterna dançarina do efêmero /e em sua incalculável imperfeição /constitua a coisa mais bela e mais perfeita / de toda a criação inumerável.

Receita de Mulher, da autoria do poetinha Vinicius de Moraes (1913-1980 ).
Parabéns para todas as Princesas deste mundo !

segunda-feira, 5 de março de 2018


Com a proteção da companheira lua , atravessando a rodovia, de olho na vida.
"Aquele que quer aprender a voar um dia precisa primeiro aprender a ficar de pé e caminhar, correr, escalar e dançar - não é no primeiro bater de asas que se consegue alçar vôo " Nietzsche (1883-1885) ,Assim falava Zaratustra.
Domingo Zen no Porto da Dunas

Para Dra. Mayra Pinheiro 

A vida é transformação e movimento perpétuos. Ela contém tudo e flui como um imenso rio descendo no tortuoso vale do tempo em direção do oceano da plenitude. Assim modela - se a Impermanência. É o devir de Heráclito de Éfeso. Tudo é processo. Em contrapartida , tudo que permanece estagnado, tende a esclerosar, mumificar, fazendo esvair a seiva da vida. Isto tem validade para bichos, gentes e, especialmente, Instituições. O sopro salutar da revivescência benfazeja dá -se com o instituto da Renovação de mentes, valores e atitudes. 

Mãos à obra, senhores e senhoras !

quinta-feira, 1 de março de 2018


 UM TIME DE BRANCO DA MPB

Para o Mestre e Poeta Martinho Rodrigues



Max Nunes, Joubert de Carvalho, Alberto Ribeiro, Paulo Vanzolini, Capinam, Aldir Blanc, Zé Dantas, Dalto, Noel Rosa, Gordurinha e Belchior. Onze nomes que enriquecem a nossa Música Popular Brasileira (MPB) e que, de algum modo, tiveram contato com a sublime profissão de médico. Belchior, Gordurinha e Noel Rosa, principiaram, mas não chegaram a concluir o curso de medicina.
Max Nunes (1922- 2014), humorista, compositor e médico:
“Bandeira branca, amor/não posso mais/pela saudade/ que me invade, eu peço paz/saudade mal de amor, de amor/saudade, dor que dói demais/vem, meu amor/ bandeira branca, eu peço paz”. Canção Bandeira Branca, de autoria de Max nunes e Laércio Alves.

Joubert de Carvalho (1900-1977), compositor, arranjador e médico:
“Ta-Hi/eu fiz tudo/pra você gostar de mim/oh! , meu bem/faz assim comigo não/você tem, você tem/que me dar seu coração/meu amor, não posso esquecer/se dá alegria/faz também sofrer/a minha vida foi sempre assim/só chorando as mágoas/que não tem fim/essa história de gostar de alguém/já é mania/que as pessoas tem/ se me ajudasse/Nosso Senhor/eu não pensaria mais no amor”

Alberto Ribeiro (1902- 1971), cantor, compositor e médico:
“Copacabana, princesinha do mar/pelas manhãs, tu és a vida a cantar/e à tardinha ao sol poente/deixas sempre uma saudade, na gente/Copacabana, o mar eterno cantor/ao te beijar, ficou perdido de amor/e, hoje vivo a murmurar/só a ti, Copacabana, eu hei de amar”. Canção Copacabana, de autoria de Alberto Ribeiro e Braguinha.

Paulo Vanzolini (1924 – 2013), compositor, médico/zoólogo:
“De noite eu rondo a cidade/a te procurar sem encontrar/no meio de olhares espio/em todos os bares/você não está/volto pra casa abatida/desencantada da vida/o sonho alegria me dá/nele você está/ah, se eu tivesse/quem bem me quisesse/esse alguém me diria/”desiste, esta busca é inútil”/eu não desistia/porém, com perfeita paciência/volto a te buscar/hei de encontrar/bebendo com outras mulheres/rolando um dadinho/jogando bilhar/e neste dia, então/vai dar na primeira edição/cena de sangue num bar/da Avenida São João/. Canção Ronda de autoria de Paulo Vanzolini.

José Carlos Capinam (1941-), poeta, escritor, jornalista e médico:
“Era um, era dois, era cem/era o mundo chegando e ninguém/que soubesse que eu sou violeiro/que me desse amor ou dinheiro/era um, era dois , era cem/vieram pra me perguntar/ô, você, de onde vai, de onde vem/diga logo o que tem pra contar/parado no meio do mundo/senti chegar meu momento/olhei pro mundo e nem via/nem sombra, nem sol, nem vento/quem me dera agora/eu tivesse a viola pra cantar/era um dia, era claro, quase meio/era um canto calado, sem ponteio/violência, viola, violeiro/era morte em redor, mundo inteiro/era um dia, era claro, quase meio/tinha um que jurou me quebrar/mas não lembro de dor, nem receio/só sabia das ondas do mar/jogaram a viola no mundo/mas fui lá no fundo buscar/se eu tomo a viola ponteio/meu canto não posso parar, não/quem me dera agora/eu tivesse a viola pra cantar/era um, era dois, era cem/era um dia, era claro, quase meio/encerrar meu cantar já convém/prometendo um novo ponteio/certo dia que sei por inteiro/eu espero, não vá demorar/este dia estou certo que vem/digo logo o que vim pra buscar/correndo no meio do mundo/ não deixo a viola de lado/vou ver o tempo mudado/e um novo lugar pra cantar/quem me dera agora/eu tivesse a viola pra cantar”. Canção Ponteio de autoria de Capinam e Edu Lobo.

Aldir Blanc (1946 -), compositor, escritor, médico:
“Doutor/jogava o Flamengo, eu queria escutar/chegou/mudou de estação, começou a cantar/tem mais/um cisco no olho, ela em vez de assoprar/sem dó/falou que por ela eu podia cegar/se eu dou/um pulo, um pulinho, um instantinho no bar/bastou/durante dez noites me faz jejuar/levou/as minhas cuecas prum bruxo rezar/coou/meu café na calça pra me segurar/se tô, ai, se eu tô/devendo dinheiro e vem me cobrar/e vem me cobrar/doutor/ai, doutor/a peste abre a porta e ainda manda sentar/e ainda manda sentar/depois/se eu mudo de emprego que é pra melhorar/que é só pra melhorar/vê só/convida a mãe dela pra ir morar lá/se eu peço feijão, ela deixa salgar/calor/ai, calor/mas veste casaco pra me atazanar/só pra atazanar/e ontem/sonhando comigo, mandou eu jogar/no burro/foi no burro/e deu na cabeça, a centena e o milhar/ai, quero me separar”.  Canção Incompatibilidade de Gênios, de autoria de Aldir Blanc e João Bosco.

Zé Dantas (1821- 1962), José de Sousa Dantas Filho: Compositor, poeta, folclorista e médico:
“Já faz três noites, que pro Norte relampeia/a Asa Branca, ouvindo o ronco do trovão/já bateu asas, e voltou pro meu sertão/ai, ai, eu vou embora/ vou cuidar da plantação/já bateu asas e voltou pro meu sertão/ai, ai, eu vou embora/vou cuidar da plantação/a seca fez eu desertar da minha terra/mas felizmente, Deus agora se lembrou/de mandar chuva , pra este sertão sofredor/sertão da mulher séria, do homem trabalhador/rios correndo, as cachoeiras tão zoando/terra molhada, mato verde, que riqueza/e a Asa Branca salta e canta, que beleza/está o povo alegre, mais alegre a natureza/sentindo a chuva eu me recordo de Rosinha/a linda flor do meu sertão pernambucano/e se a safra não atrapalhar meus planos/que que há, ó seu vigário/vou casar no fim do ano!” . Canção A Volta da Asa Branca, de autoria de Zé Dantas.

Dalto (1949-), Dalto Roberto Medeiros: Cantor, compositor e médico:
“Se você vê estrelas demais/lembre que um sonho não volta atrás/chega perto e diz anjo/se você sente o corpo colar/solte o seu medo bem devagar/chega perto e diz anjo/se uma coisa louca/sai do seu olhar/fica em silêncio/deixa o amor entrar/pra que tanta pressa de chegar/se eu sei o jeito e o lugar/se eu sei o jeito e o lugar”.  Canção Anjo, da autoria de Dalto, Cláudio Rebello e Renato Correa.

Noel Rosa (1910- 1937), cantor e compositor: Não concluiu o curso de medicina:
“Quem acha, vive se perdendo/por isso agora eu vou me defendendo/da dor tão cruel desta saudade/que, por infelicidade/meu próprio peito invade/batuque é um privilégio/ninguém aprende samba no colégio/sambar é chorar de alegria/é sorrir de nostalgia/dentro da melodia/por isso agora lá na Penha/ vou mandar minha morena/pra cantar com satisfação/e com harmonia/ esta triste melodia/que é meu samba em feitio de oração/o samba na realidade, não vem do morro/nem lá da cidade/e quem suportar uma paixão/saberá que o samba , então/ nasce do coração”
Canção Feitio de oração, de autoria de Noel Rosa e Vadico.

Gordurinha (1922 – 1969), Waldeck Artur de Macedo: cantor, compositor, humorista. Estudou medicina, mas não concluiu o curso.
“Oh! Deus, perdoe este pobre coitado/que de joelhos rezou um bocado/pedindo pra chuva cair sem parar/Oh! Deus, será que o Senhor se zangou/ e só por isso o sol retirou/fazendo cair toda a chuva que há/ Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho/pedi para chover, mas chover de mansinho/pra ver se nascia uma planta no chão/Oh! Deus, se eu não rezei direito/ o Senhor me perdoe/eu acho que a culpa foi/desse pobre que não sabe fazer oração/Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água/e ter-lhe pedido cheinho de mágoa/pro sol inclemente se retirar/desculpe eu pedir a toda hora/para chegar o inverno/desculpe eu pedir para acabar com o inferno/que sempre queimou o meu Ceará”. Composição Súplica Cearense, de autoria de Gordurinha.

Belchior (1946- 2017), Antônio Carlos Belchior, cantor e compositor. Cursou a faculdade de medicina, mas não completou a graduação.
“Há tempo, muito tempo/que eu estou longe de casa/e nessas ilhas cheias de distância/o meu blusão de couro se estragou/ouvi dizer num papo da rapaziada/que aquele amigo/ que embarcou comigo/cheio de esperança e fé/já se mandou/sentado à beira do caminho/pra pedir carona/tenho falado à mulher companheira/quem sabe lá no Trópico a vida esteja a mil/e um cara que transava a noite/no Danúbio Azul/me disse que faz sol/na América do Sul/e nossas irmãs nos esperam/ no coração do Brasil/minha rede branca/meu cachorro ligeiro/sertão, olha o Concorde/que vem vindo do estrangeiro/o fim do termo Saudade/como o charme brasileiro/de alguém sozinho a cismar/gente de minha rua/como eu andei distante/quando eu desapareci/ela arranjou um amante/minha normalista linda/ainda sou estudante/da vida que eu quero dar/até parece que foi ontem/minha mocidade/com diploma de sofrer /de outra Universidade/minha fala nordestina/quero esquecer o francês/e eu vou viver as coisas novas/que também são boas/o amor, humor das praças/cheias de pessoas/agora eu quero tudo/tudo outra vez/gente de minha rua/como eu andei distante/quando eu desapareci/ela arranjou um amante/minha normalista linda/ainda sou estudante/da vida que eu quero dar” . 

Canção Tudo Outra Vez, de autoria de Belchior.
Ufa!