segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

 O Amor Do Rio

Os deuses puniram o jovem e belo Narciso , por ter recusado o amor da ninfa Eco , fazendo - o apaixonar - se pelo seu próprio reflexo num riacho. Narciso enamorou - se por si mesmo , morrendo afogado ao tentar se agarrar à sua imagem .
Em seguida os deuses , o transformaram em uma flor , o narciso , símbolo da morte prematura .
" Depois de sua morte , todas as flores à beira d'água ficaram desoladas e pediram ao rio algumas gotas de água para chorar .
- Ah - disse o rio - , se todas as minhas gotas d'água fossem lágrimas, eu não as teria suficientemente para chorar a morte de Narciso. Porque eu o amava.
- Como não amá - lo ? - disseram então as flores. - Ele era tão belo !
- Ele era belo ? - perguntou o rio.
- E quem poderia saber melhor que você? - disseram as flores. - A cada dia ele se debruçava por cima da margem e contemplava sua beleza nas suas águas .
- Mas não era por isso que eu o amava - disse o rio.
- E, então, por quê ?
- Porque , quando ele se debruçava, eu podia ver a beleza das minhas águas nos olhos dele ."
" O Amor Do Rio " , da autoria de Jean - Claude Carrière ( 1931 - 2021 ) , escritor , roteirista ,dramaturgo , ensaísta e ator francês .
Foto que ilustra o texto : Lagoa da Precabura, nos limites de Fortaleza com o município de Eusébio.
Pode ser uma imagem de corpo d'água, palmeiras e natureza

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

 Meu Nosso Ceará

"Ceará,
Quando você
Nos dias gloriosos que hão de vir,
Chegar a ser um homem feito;
Quando você souber pensar sozinho,
Sem auxílio de ninguém;
Quando você for todo nosso
Todo cearense,
Ó, meu Ceará, só meu e do meu povo bom
( É pena que eu já tenha morrido)
Para não poder mais , ouvir os eternos poemas
Que os futuros poetas de todos os recantos sagrados de você, Ceará;
Tumultuosos , vibrantes,
Coruscantes de astros,
Começarem, bem límpido e bem alto,
A cantar , a cantar ,a cantar,
Até morrerem cantando ! "
"Meu Nosso Ceará" , poema da autoria do fortalezense José Vicente Sidney Netto ( 1893 - 1972 ) que integrou a Academia Cearense de Letras, ocupando a Cadeira de número 1 , cujo patrono foi Adolfo Caminha .
Pode ser uma imagem de céu e crepúsculo
Carlos Alberto Cunha, Emanuel Carvalho Melo e outras 10 pessoas

domingo, 9 de janeiro de 2022

 Fortaleza em Prosa e Verso

" Que cousas direi de ti, Fortaleza, se tantos já te cantaram em Prosa e Verso, e abriram o coração aos teus encantos , e louvaram com amor a tua face, e te disseram grandes madrigais ?
Teu claro rosto e graça delicada inspiraram a formação de versos e serestas, e ficaste nas almas como uma valsa iluminando mudas benquerenças. Ninguém jamais deixou de te amar. Teu lirismo te segue como uma sombra. És bela e te embalas com as canções que chegam do teu mar . E nunca te apartaste dos mistérios que formam a tua alma .
Tens algo de inefável, como as cousas que amamos e nem sempre poderemos explicar. Tens algo que é só teu, que é puramente Fortaleza, quer seja nos subúrbios, nos jardins , nas praias , ou nas ruas. É algo de profundo, que não morre , mas te segue em todos os teus dias e cai subitamente em nosso olhar , ampliando por ti o nosso afeto.
Seriam as saudades dos boêmios de outrora, que ficaram em permanente arco - iris no silêncio ? Seria a tua perpétua adolescência pousando sobre homens como nuvem de Poesia ? Seria o teu amor procurando exprimir aos nossos olhos algum segredo que conservas como adorno imaterial de tua beleza ?
Difícil responder. A verdade , porém, é que todos te ofertam amor imperecível e procuram o resguardo de teus múltiplos encantos. Quantos te amam ? Não há esquecimento para a tua face. Os que partem ,te saúdam de longe na ternura e no pranto de inúmeras lembranças. Os que ficam , entoam em teu louvor ó Musa , canções que não têm fim.
Ilha do nosso amor , conservas inúmeros sortilégios românticos e jamais esqueceste os teus próprios caminhos, na preamar do tempo.
És jovem e alegre como as namoradas .
Tuas manhãs de sol nos chamam para para as lutas, tuas tardes bucólicas nos dão serenidade, tuas noites tão belas nos levam para o amor ...
Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, como falar de ti em termos graves, com as difíceis palavras da eloquência, se és simples e moras dentro de nós como rosa que nunca se extinguisse? Para que louvar - te com sermões ilustres e tudo em ti trescala Poesia , e as palavras em ti nascem serenas , e se és para nós tão doce amada ?
Sobre o teu vulto delicado e terno caminham pastorais que vêm de tua infância. Ao sopro de ternuras te embalaste . E o amor te fez ."
Cancioneiro Da Cidade De Fortaleza ( 1953 ) , da autoria de Artur Eduardo Benevides ( 1923 - 2014 ) , O Príncipe dos Poetas Cearenses.
Foto que ilustra o texto o final da tarde deste sábado em Fortaleza .
Pode ser uma imagem de natureza, nuvem e crepúsculo
Carlos Alberto Cunha, Neila Romero e outras 17 pessoas
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domingo, 2 de janeiro de 2022

 Meu Pedaço de Chão, Minha Vida .

Fim da tarde de sábado, primeiro dia do ano , apresentando para minha pequena filha , a Praia do Mucuripe , parte de minha vida. Há seis décadas , neste paradisíaco chão, não existiam espigões de concreto, barrando a brisa e apontando com os dedos em riste para os céus. É o progresso !
" Sou cearense e me ufano,
Que esta terra de Iracema
Primeiro quebrou a algema
Nos pulsos da escravidão !
Nos " verdes mares bravios"
Voando a sua jangada,
Foi, nesta Santa cruzada,
O berço da salvação.
E, por isso, a voz do povo
Chamou - a " Terra da Luz ";
Cumprida a lei de Jesus :
Do cativo a remissão...
E desta luz a centelha
Produziu geral incêndio,
Acabando o vilipêndio,
Do servo fazendo irmão.
O alto poder, nos prélios,
Se carece de soldado,
Os olhos volve animado
Para as bandas do Ceará,
Para a terra de Tibúrcio
E do Sampaio valente !
Onde melhor combatente ?
Mais valoroso não há!
E manda chamar um Clóvis,
Se precisa de jurista;
Quando fala em romancista
Lembra José de Alencar!
Portanto , declaro , ufano
Da glória que me pertence:
Sabeis vós : - Sou cearense
E minha glória é sem par ."
Poema " O Cearense " da autoria de Juvenal Galeno , nascido em Fortaleza, a 27 de setembro de 1836 e falecido na mesma cidade , a 7 de março de 1931. Construiu uma poesia de intuitos populares, bebida diretamente das fontes do povo , a qual vestiu com formas de um primitivismo ingênuo e de grande efeito poético .
Pode ser uma imagem de 1 pessoa, cão e ao ar livre
Josias Cavalcante, Kalline Alcântara e outras 86 pessoas
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