Colégio Castelo Branco - Fortaleza
Homenagem ao Mestre Martinho Rodrigues
O Colégio Castelo Branco, situado na Avenida Dom Manoel , da Arquidiocese de Fortaleza , foi fundado em 1900 com o nome de Instituto Miguel Borges , por Odorico Castelo Branco , e passou em 1921 , a chamar - se Colégio Castelo Branco , após o falecimento de seu criador . Plantado num prédio horizontal, como uma incubadora acadêmica que deu origem a futuros parlamentares, médicos, agrônomos , juristas , jornalistas , odontólogos, e outras figuras importantes da sociedade cearense .
Compunham aquela amorosa e fértil família: Padre Jorgelito Cals de Oliveira ( diretor ) , uma nobre criatura de Deus , responsável pelo colégio durante 45 anos ; Padre Jonas Barros ( professor de Latim ) , de fácil convívio ; Padre Hortênsio ( Professor de História) , Padre Gerardo ( Professor de Geografia ) , com as mãos no bolso e um cigarro morto no canto da boca , passeava na sala como um leão numa jaula ; Padre Jessé ( Professor de Inglês) . Ao longo das veredas, algumas das pesadas batinas negras e puídas foram ficando de lado , trocadas pelo traje civil e pela constituição de uma família convencional .
O que importa , queridos Mestres , é que os senhores estão eternizados como anjos em nossos corações de crianças.
O plantel de mestres leigos do Colégio Castelo Branco , vário, heterogêneo e seleto era exemplar: Professor Muller ( Francês) , Professor Iago ( Química) , Professor Serra ( Matemática) , Professor Agnelo ( Desenho ) , Professor Eleutério Costa ( Matemática) , Professor Américo ( Física) , Professor Guilherme Ellery ( Matemática) : de nobre estirpe , iniciando a época uma gloriosa caminhada acadêmica ; Professor Batista ( Biologia) , Professor Elisiário ( Moral e Cívica) , Professor Wilson Viana ( Física) , Professor Cid Paracampos ( Português) , Professor Martinho ( Biologia ) : médico, poeta , seresteiro, filósofo , humanista, uma pérola de raro valor .
Nas esquinas da vida por onde pelejo, ao avistar caminhando em passos curtos um daqueles anjos , mestres de outrora , contrito , rogo- lhes humildemente perdão por não poder resgatar em vida a gigantesca dívida que tenho para com eles . Carrego - os contente todos comigo bem junto ao peito .
Quando passo por aquele quadrilátero mágico, com os olhos marejados , não mais encontro o riacho Pajeú, soterrado que foi pela ganância do bicho- homem , os antigos palacetes e bangalôs servem agora , ridículos, a bares , lanchonetes e hotéis, nada restando daquela Fortaleza mimosa e ingênua de minha juventude. Quero de volta o impossível e nada posso fazer , tendo a consciência de que cada idoso sumindo nas trevas corresponde a uma biblioteca consumida pelo fogo . Resta apenas um mar saudades !
Um fraterno abraço, ao confrade , eterno mestre e poeta Martinho Rodrigues, pelo seu recente aniversário . Saúde e Paz !
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