quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Uma Mensagem de Alento.



Quem ouve as súplicas da Terra, dos doentes, dos pobres e dos inocentes sacrificados pelas ditaduras que ainda medram pelo mundo afora , não pode permanecer indiferente.
A Mãe Terra segue degradação impiedosa por serras elétricas rasgando suas entranhas, e com o seu uberoso solo prenhe de agrotóxicos levando de roldão milhões de espécies rumo à extinção.
Os doentes e pobres que , em vão, perambulam em busca de socorro em unidades de saúde, tornam - se fáceis presas da Parca , em decorrência de falta de insumos e precariedade da rede assistencial .
Profissionais de saúde gestados para salvar vidas , devem combater o bom combate mesmo diante de tantas barreiras. NENHUM profissional de saúde deve calar ou prestar apoio a regimes autocráticos que imolam milhares de inocentes vítimas.
A ideia que deu luz a crise não pode ser a mesma que dará um fim a esta crise; tem que mudar;(Albert Einstein ).
Vamos juntos promover as benfazejas mudanças para continuar avançando!
Dr. Edmar Fernandes

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Maimônides : um guia para médicos de verdade.
Para os doutores George Magalhães, Edmar Fernandes e Mayra Pinheiro.






" Todos os seres humanos , pelo fato de viver, filosofam, ou seja, pensam ou tratam de pensar, e ao fazê - lo duvidam e ao duvidar se questionam isto e aquilo ...
Esses meio perdidos que em maior ou menor medida somos todos os seres humanos , requerem um guia de filosofia para recuperar a fé , posto que, fé e razão encontram-se unidas. Ensina tua língua dizer não sei e farás progresso , sem dúvida ".

Maimônides (1135 -1204) junto com outros nomes imortais como Rhazes, Avicena e Averróes ilustraram a antiga medicina árabe.
Segue o juramento de Maimônides para todos médicos de corpos e de almas :

" Ó Deus! , O Senhor formou o corpo humano com uma bondade infinita! O Senhor uniu nele inúmeras forças que trabalham incessantemente como instrumentos a fim de preservar em seu todo esta casa maravilhosa, contendo uma alma imortal, e estas forças atuam com toda ordem, concordância e harmonia inimaginável. Mas se a fraqueza ou paixão violenta perturbam a harmonia, estas forças agem umas contra as outras e o corpo volta ao pó de onde veio.

O Senhor então envia ao homem seus mensageiros, as doenças, que anunciam a aproximação do perigo e pede que ele se prepare para vencê - las. A Eterna Providência me apontou para cuidar da vida e da saúde de Suas criaturas.
Que o amor e a minha arte me deixem agir em todos os momentos, que a minha avareza e a mesquinhez, tanto como a sede da glória ou da reputação, não tomem conta de meus pensamentos, porque sendo inimigos da verdade e da filantropia poderiam me decepcionar e me fazer esquecer da minha meta de aplicar o bem aos Seus filhos.

Enriqueça -me com força de alma e mente, para que ambas estejam prontas para servir ao rico e ao pobre, ao bom e ao mau, amigo e inimigo e que jamais enxergue o paciente sendo como um ser igual, adoecido.
Se médicos mais cultos que eu me aconselhar, me inspirar confiança e obediência, aceito de bom grado, pois o estudo da ciência é maravilhoso. Um só ser não pode enxergar tudo.

Que eu seja moderado em tudo, exceto na sabedoria da ciência; que eu seja insaciável até o ponto certo; permita -me ter sempre a força e a oportunidade de corrigir minhas aquisições, sempre estendendo meu domínio, porque a sabedoria não tem limite e o espírito do homem se estende infinitamente, para que diariamente se enriqueça com novos conhecimentos. Hoje ele pode descobrir os erros de ontem, e amanhã ele pode obter nova iluminação sobre o que ele deu certeza hoje.

Deus , o Senhor me apontou para cuidar da vida e da morte de Suas criaturas; eis -me pronto para minha vocação " .
Francisco José Costa Eleutério, médico.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018


Verde que te quero Verde





"Clama uma voz amiga :- Aí tens o Ceará /e eu, que nas ondas punha a vista deslumbrada /olho a cidade. Ao sol chispa a areia doirada /a bordo a faina avulta e toda a gente já /"'-perdi a mala" um diz de cara acabrunhada /sobre as águas, arfando, uma breve jangada passa/tão frágil! Deus a leve onde ela vá /esmalta ao fundo a costa a verdura de um parque /e enquanto a grita aumenta em berros e assobios /rudes , na confusão brutal do desembarque :/fitando a vastidão magnífica do mar/que ressalta e reluz: -"Verdes mares bravios. .." /cita um sujeito que jamais leu Alencar"
Poema Verdes Mares , de autoria do poeta pernambucano (1886-1968).

Verde que te quero Verde , sempre, e não, vermelho!
Fotografia 3x4


"Como o amor, o apelo da música é universal. E seus ritmos expressam todas as estações da alma...
O homem não sabe o que diz o pássaro ou o córrego ou as ondas ou a chuva. Mas seu coração percebe misteriosamente o sentido de todas as vozes, que ora o alegram e ora o entristecem " ( Gibran Khalil Gibran -1883-1931).

" Eu me lembro muito bem do dia que eu cheguei /jovem que desce do Norte pra cidade grande /os pés cansados e feridos de andar légua tirana/de lágrimas nos olhos de ler o Pessoa /e de ver o verde da cana /em cada esquina que eu passava um guarda me parava /pedia os meus documentos e depois sorria/examinando o 3x4 da fotografia/e estranhando o nome do lugar de onde eu vinha/pois o que pesa no Norte, pela lei da gravidade /disso Newton já sabia:cai no Sul, / grande cidade/São Paulo violento, corre o Rio que me engana/Copacabana , Zona Norte e os cabarés da Lapa/onde morei/mesmo vivendo assim, não me esqueci de amar/que o homem é pra mulher e o coração pra gente dar/mas a mulher, a mulher que eu amei/não pôde me seguir não /esses casos de família e de dinheiro /eu nunca entendi bem/Veloso, o sol não é tão bonito pra quem vem do Norte/e vai viver na rua / a noite fria me ensinou a amar mais o meu dia/e pela dor eu descobri o poder da alegria /e a certeza de que tenho coisas novas/coisas novas pra dizer/a minha história é talvez /talvez igual a tua/jovem que desceu do Norte/que no Sul viveu na rua /e ficou desnorteado, como é comum no seu tempo/e que ficou desapontado, como é comum no seu tempo/ e ficou apaixonado e violento como eu/como você / eu sou como você /eu sou como você /eu sou como você que me ouve agora /eu sou como você "
Composição " Fotografia 3x4" da autoria de Belchior ( 1946 -2017 ).

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

TEMPO BONITO PARA CHOVER



Quase meio dia agora em Fortaleza. O tempo se apresenta bonito, carrancudo, enquanto a carruagem do Rei Sol preferiu, por cautela , não se expor a "uma vaia bem cearense" escondendo - se lá por trás do universo.

"Embora a seca seque as fontes e os rios /e os campos fiquem esturricados/e o gado morra de fome e sede / e as queimadas devorem os pastos /e os machados transformem florestas verdes em desertos áridos /e os palácios estejam cheios de corruptos -/a despeito disso minha alegria continuará a florir/e farei poemas diante do Impossível " (Habacuque 3:17-18, Paráfrase )


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

RELEMBRANÇAS




05 de janeiro de 1968 , na Loira desposada do sol um grupo de álacres estudantes revoava rumo ao Colégio Militar de Fortaleza ou para a Escola Normal Justiniano de Serpa. Era o início da maratona do vestibular de medicina da UFC. Cerca de novecentos candidatos para cem vagas. Primeiro obstáculo : prova de português com caráter eliminatório. Para o texto de redação a escolhida foi a cearense Rachel de Queiroz (1910-2003) com o poema "Telha de Vidro":


"Quando a moça da cidade chegou/veio morar na fazenda/na casa velha.../tão velha !/quem fez aquela casa foi o bisavô. ../deram - lhe para dormir a camarinha/uma alcova sem luzes, tão escura !/mergulhada na tristura /de sua treva e de sua única portinha /a moça não disse nada/mas mandou buscar na cidade /uma telha de vidro.../queria que ficasse iluminada /sua camarinha sem claridade.../agora/o quarto onde ela mora/é o quarto mais alegre da fazenda/tão claro que ao meio dia, aparece uma renda de arabesco de sol nos ladrilhos vermelhos /que - coitados - tão velhos/só hoje é que conhecem a luz do dia. ../à luz branca e fria/ também se mete às vezes pelo clarão da telha milagrosa. ../ou alguma estrela audaciosa /careteia no espelho onde a moça se penteia / que linda camarinha! /era tão feia/ - você me disse um dia/que sua vida era toda escuridão / cinzenta/fria/sem luar, sem um clarão. ../por quê você não experimenta? /a moça foi bem sucedida.../ponha uma telha de vidro em sua vida !"


Hoje, cinquenta anos depois seguimos viagem como irmãos e cúmplices, de braços dados, numa vereda íngreme, com os pés descalços empoeirados, as mãos cobertas de calos, nuas, mas limpas. Trazemos ouro e prata, no olhar e nos cabelos , tintos pelos beijos do luar. É a nossa grande fortuna terreal. 


Deste modo, queremos um dia nos apresentar na Mansão dos Bons e dos Justos e dizer, humildemente : - "Senhor, eis Seu pequeno servo, que pelo mundo afora pelejou consolando almas, lancetando feridas, receitando meizinhas e realizando curas com Sua intercessão. Conceda-nos o perdão pelo não -feito ou pelos momentos em que fraquejamos"
Não lembro o que o jovem da foto abaixo, que confecciona esta crônica,  escreveu na dita redação. Sei que " um rapaz latino americano sem dinheiro no banco e vindo interior - Belchior" - recebeu a nota máxima nesta prova de português. 

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

" Os fogos de artifício se parecem com a alma...Gostaríamos de morrer daquele jeito, naquela exibição de potência, subindo aos céus assobiando, para terminar num orgasmo de cores que ejacula jatos de prata, fogo, estrelas e cometas..."(Rubem Alves ).


Mas, convenhamos, sem aquele espalhafatoso barulho nefasto aos nossos irmãos - animais, com aves voando atabalhoadas e os cães ganindo dolorosamente ! Menos, menos !