Gastão Justa : Poeta e Jornalista
Nasceu em Fortaleza , no dia 01de julho de 1899 , filho de Joaquim Gonçalves da Justa e Maria Pereira da Justa. Cursou várias escolas e colégios particulares . Muito cedo ingressou no jornalismo, na área política, onde publicava crônicas , contos e poesias . Pertenceu à Academia Cearense de Letras , Cadeira 24 , cujo Patrono é Livio Barreto . Faleceu em 10 de dezembro de 1969, aos 71 anos de idade .
" Meditação "
Linda montanha a vida . Na subida ,
É tudo sonho e luz , tudo aurora .
Depois o sonho passa, não demora .
E a dor nos acompanha na descida .
Mas não se foge ao sonho , que minora
Um pouco as aflições da alma dorida.
Todos sofremos nesta humana lida ,
De minuto em minuto, de hora em hora .
Uns sofrem menos, outros mais , segundo
O bem que praticaram neste mundo
Ou ainda o mal que poderão causar .
Sobe . Porém, cuidado na descida
O mal nunca se encontra na subida ,
Mas , lá do alto , infeliz de quem rolar ..." .
" A Roseira e a Vida "
No meu jardim ,
Plantei um dia
Uma roseira .
Cresceu , cresceu ,
E floresceu .
Deu lindas rosas ,
As mais viçosas
E perfumosas
Do meu jardim .
Toda manhã,
Eu ia vê - la.
Sempre louçã ,
E graciosa
Como se fosse
Uma mulher ,
Que se enfeitasse ,
Que se alindasse,
Para me ver .
Eu adorava ,
Esta roseira .
Pois , dentre as mais ,
Era a primeira
Do meu jardim .
Ao sol e à chuva ,
E ao vento forte ,
Não se dobrava
Seu lindo porte .
Porém um dia ,
Não sei por que,
Ela murchou
E feneceu .
Tudo secou:
Galhos e folhas,
Brotos e rosas.
E o meu jardim
Se entristeceu.
Assim a vida ,
Passa tão breve ,
Que nem se sente
Quando ela passa .
Tudo que nasce ,
E vive e cresce ,
Terá seu fim,
Como a roseira
Do meu jardim .
" Viver "
" Enche o teu copo e bebe o que puderes .
Faze da vida um mundo de harmonias.
Ama também, e usa das mulheres
Como se fossem taças de ambrosias.
Na sucessão das noites e dos dias ,
Gasta tudo do pouco que tiveres.
E em vez do vale amargo de agonias ,
Faze da vida um vale de prazeres.
Além da morte, que de estranho existe ?
Talvez um mundo desolado e triste ,
Um astro morto como a própria lua .
Goza da vida o efêmero momento.
Quem morre , passa , como passa o vento ,
Não torna mais . E a vida continua ... "
" Da Antologia Cearense " , organizada pela Academia Cearense de Letras, Fortaleza - 1957 .